Empresas melhoram condições de trabalho para os pais

A oferta de uma maior licença-paternidade, como acaba de fazer a PwC Brasil, é uma das maneiras de equilibrar as condições de trabalho para mulheres e homens

Adriana Salles Gomes

13 Agosto 2017 | 15h23

Será que o Dia dos Pais é uma data importante para um blog sobre mulheres e economia? Sim, é. E por uma razão que deveria ser cristalina para todos a essa altura do campeonato. É bastante provável que, enquanto os homens não exercerem sua paternidade plenamente, as mulheres não tenham a maternidade aceita como algo natural no ambiente de trabalho. E só assim o “risco da maternidade” poderá deixar de ser tão custoso para as mulheres; só assim as elas pararão de ganhar menos do que os homens na mesma função. Em outras palavras, o mercado precificará o risco da maternidade e o risco da paternidade igualmente.

A licença-paternidade ampliada de cinco para 20 dias, o que começou a valer este ano, é bem-vinda, mas não basta, nem para o exercício pleno da paternidade, nem para essa precificação similar – do outro lado da balança estão quatro meses da licença-maternidade (ou seis, no caso das organizações filiadas ao Programa Empresa Cidadã). Por isso, é louvável a iniciativa que algumas empresas vêm tendo na direção de serem “family-friendly”, ou em bom português, amigáveis a famílias. Não se trata de serem “boazinhas”, e sim de guerra de talentos e busca de engajamento. A fim de conseguirem atrair os melhores profissionais, especialmente na geração mais jovem, essas companhias equilibram mais as condições para homens e mulheres e facilitam que tenham vida pessoal.

Uma delas é a unidade brasileira da gigantesca firma de auditoria e consultoria PwC, que tem 4,5 mil profissionais só no Brasil. Na semana passada, ela anunciou a extensão da licença-paternidade de 20 dias para dois meses. E esse tempo pode usufruído em  ​até ​ um ano a partir do nascimento do bebê como o pai preferir. Podem ser quatro semanas após o nascimento do bebê e quatro após retorno da mãe ao trabalho, ou de outro modo qualquer. ​

Abaixo está o vídeo do sócio da PwC Marcos Panassol anunciando o benefício:


​A PwC também estendeu aos pais a política de flexibilidade já oferecida às mães, que prevê redução da jornada de trabalho para 30 ou 20 horas semanais, com ajuste proporcional de salário. Também prevê adequação do tipo de trabalho para dar a oportunidade de o/a profissional conseguir fazer seu trabalho nas oito horas do dia, sem ter de apelar para horas extras (e sem ter de viajar).

Quem conhece o mercado vai argumentar que essa consultoria é uma jabuticaba no bom sentido, não servindo de exemplo no precariado que vivemos. Afinal, lá uma mãe pode viajar a trabalho levando o bebê de até um ano e um acompanhante junto, por exemplo.

Mas eu vou responder aos críticos que, embora concorde que a maioria das empresas não seja assim, o número de jabuticabas vem aumentando: outras empresas que têm feito diferença no campo da licença-paternidade são o Twitter (20 semanas), o Facebook (quatro meses), a Unilever e a J&J   (oito semanas em um ano, como a PwC). Isso é educativo no longo prazo, vai dando novos parâmetros ao mercado.

Minha aposta é de que na hora que favorecer a vivência em família para todos os funcionários for visto pela maioria das empresas como uma questão de politica de recursos humanos e de competitividade do negócio, a sociedade vai mudar – e a economia vai ganhar. Crianças com os dois pais presentes, e os dois pais realizados profissionalmente, hão de ser adultos mais bem resolvidos e produtivos. Feliz Dia dos Pais!

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