Pesquisa mostra mais mulheres no poder nas empresas brasileiras, mas mitos atrapalham

Pesquisa mostra mais mulheres no poder nas empresas brasileiras, mas mitos atrapalham

Em um ano, dobrou o número de mulheres comandando empresas no Brasil e como diretoras financeiras, mas o avanço feminino ainda é muito lento no ambiente corporativo, e uma série de mitos só prejudica isso (por exemplo, o que supõe que a Alemanha é mais evoluída do que a Letônia nesse aspecto)

Adriana Salles Gomes

08 Março 2016 | 10h18

A presença de mulheres na presidência das empresas brasileiras aumentou de 2014 para 2015: foi de 5% para 11%. Embora ainda seja pouco, o fato de que, em cada 100 empresas, 11 são comandadas por mulheres agora, ante 5 um ano atrás, não é insignificante em matéria de elas ganharem espaço.

Se convertêssemos o avanço em quilos extras, significaria dobrar de peso de um ano para outro. Tem ideia do impacto? Ainda mais em um país de cultura predominantemente masculina. Ainda mais em tempos de crise econômica, quando os acionistas ficam mais conservadores e só promovem quem consideram ser real e comprovadamente capacitado e confiável.

Outra notícia boa é que o número de empresas do Brasil em que mulheres ocupam a diretoria financeira também subiu de 5% para 11% no mesmo período. Isso também não é de se jogar fora: a diretoria financeira é um cargo operacional da empresa, diferentemente da diretoria de recursos humanos ou da de marketing, funções de suporte que não geram resultados diretamente e que, por isso, são menos vistas como um degrau na escada rumo ao topo. E, como muitos sabem, as mulheres costumam ser mais associadas a essas funções de suporte.

As duas boas novas vêm de uma pesquisa que está saindo do forno, o International Business Report 2016, realizada pela empresa de consultoria Grant Thornton com 5.000 executivos em 36 países. Eu as trago aqui para brindar o Dia Internacional da Mulher e também para iniciar uma conversa mais franca sobre mitos que acabam atrapalhando o avanço das mulheres na carreira executiva.


Assim como ninguém diria que em 2015 o cenário profissional estava melhorando para as mulheres no Brasil – as mudanças às vezes acontecem silenciosamente –, muitas pessoas ainda se apoiam em mitos quando discutem desafios de gênero. Quero aproveitar a efeméride, e os dados disponíveis no estudo da Grant Thornton e em outros, para explicitar alguns deles.

 

MITO: AS COISAS JÁ FORAM PIORES PARA AS MULHERES

Em matéria de equidade de gênero no mercado de trabalho, isso não corresponde à verdade. Especificamente no Brasil, segundo o relatório da Grand Thornton, 53% das empresas sem mulheres em cargos de liderança representam, além de um número elevadíssimo, um senhor retrocesso. O número já foi bem menor – respectivamente 26% e 33% nos estudos divulgados em 2013 e 2014. Elas detêm 19% de cargos de alto escalão existentes e isso também foi melhor: 23% no estudo divulgado em 2013.

Assim, o Brasil está no pelotão dos fundos, entre os dez países em que as mulheres têm menor poder empresarial. Só não estamos piores do que Japão (7%), Alemanha (15%, pasme!), Índia (16%), Argentina (18%), Holanda (18%, pasme de novo!) e México (18%). Até a Turquia, onde as turistas brasileiras se surpreendem com o machismo, tem um índice de postos de comando ocupados por mulheres melhor – ainda que apenas um ponto percentual melhor: 20%

MITO: OS OUTROS PAÍSES SÃO MAIS EVOLUÍDOS

Os brasileiros gostam de acreditar que, nos países ricos, as coisas são mais suaves e mais bem resolvidas do que por aqui, porém os números não confirmam isso: por exemplo, 40% das empresas do G7, os países mais ricos do planeta, não têm mulheres em cargos de liderança. E nessas economias, 22% dos cargos seniores das empresas são ocupados por mulheres.

O caso da Alemanha de Angela Merkel é particularmente assustador: lá só 15% dos cargos de líderes são ocupados por mulheres e 60% das empresas não têm nenhuma mulher em posições seniores.

A União Europeia como um todo não se sai melhor, apesar de toda a cultura greco-romana e de toda a social-democracia acumulada: 24% dos cargos de comando das empresas são ocupados por mulheres e 37% não têm DNA feminino no alto escalão.

E os Estados Unidos? Bem, em um recorde desde 2007, elas ocupam 23% das posições seniores existentes no ambiente corporativo. Apenas 23%. E a quantidade de empresas sem mulheres no comando ainda é um terço do total.

Mesmo que esteja sentado (a), segure-para não cair com a situação do Japão: 7% dos cargos de líderes estão com mulheres e 73% das empresas não têm mulher na alta gerência, segundo o estudo da Grant Thornton.

No ritmo em que a carroça anda, se não fizermos nada diferente, só em 2060 haverá uma equidade de gênero digna do nome, conforme disse a este blog Madeleine Blankenstein, sócia da Grant Thornton no Brasil (a previsão de 2036 da pesquisa da Manpower seria otimista demais conforme esta pesquisa).

Madeleine

MITO: HOMENS EM CASA SÃO O QUE FUNCIONA

A ativista feminista Gloria Steinem tem uma frase lapidar: “As mulheres não serão iguais aos homens fora de casa enquanto os homens não forem iguais às mulheres dentro de casa”. Eu sempre pensei assim, mas, pelo que algumas pesquisas indicam, essa situação, se considerada isoladamente, também não passa de mito.

Onde vemos, em nosso imaginário (e também em viagens), mais homens dentro de casa? Nos países nórdicos. Só que lá os números de participação das mulheres no comando das empresas também deixam a desejar, embora estejam melhorando com a instituição de cotas (pularam de 18% para 28% na Suécia, por exemplo).

Na Dinamarca, apesar de Helle Thorning-Schmidt como a primeira-ministra e de séries de TV com personagens femininas muito fortes, como Borgen e The Killing, 71% das empresas dinamarquesas não tinham mulheres em posições seniores, segundo o levantamento da Grant Thornton feito no ano passado.

MITO: EDUCAÇÃO É O QUE FUNCIONA

Diz a sabedoria convencional que a maior educação é o que faz qualquer um subir na vida, homem ou mulher. Pelo menos para elas, educação não tem bastado; já há globalmente mais mulheres estudando em nível de pós-graduação do que homens (com exceção da África Subsaariana e do Sul asiático). E ainda assim um terço das empresas mundiais não têm mulheres em cargo de comando. Aliás, em um ano normal, apenas de 21% das empresas contratam mulheres com diploma universitário.

Será que uma educação interna mais direcionada, voltada à prática dos negócios, pode funcionar melhor? Não se sabe, mas é possível que sim. A amostra disso ainda é pequena: apenas uma em quatro empresas tem ou pretende ter um programa de mentoria para promover a liderança de mulheres. E as mulheres não sentem que as empresas que o fazem enxergam os potenciais benefícios delas como líderes; as empresas fazem isso, a seu ver, principalmente por responsabilidade social.

 MITO: EXECUTIVOS E EMPRESÁRIOS SÃO CONTRA COTAS

Não são. As pesquisas da Grant Thornton nos últimos anos têm mostrado que, no mundo, 47% dos executivos são favoráveis a políticas afirmativas para mulheres e, no Brasil, já foi divulgado que 61% das empresas brasileiras apoiariam cotas para aumentar o número de mulheres em companhias de capital aberto.

 MITO: COTAS SEMPRE FUNCIONAM

Tampouco é verdade. Em 2013, o Parlamento Europeu votou a favor de cotas. Em alguns países essas fizeram diferença de fato, com a participação feminina nas posições de poder da empresas aumentando consistentemente: isso ocorreu na Espanha, na França e na Suécia, onde se verificaram aumentos de dez pontos percentuais ou mais nessa participação. Mas no Reino Unido, por exemplo, a mudança foi insignificante e na Alemanha a participação chegou a cair, sob a alegação de que é difícil encontrar mulheres qualificadas para preencher as cotas em uma sociedade que envelhece.

MITO: O PRECONCEITO DE GÊNERO EXPLICA TUDO

O viés de gênero é mais percebido na África, onde 40% das mulheres o percebem, e também é lá que há o maior gap entre a percepção feminina e a masculina sobre o assunto. Mas o fato é que, apesar de o preconceito ser menor na América Latina do que na África (19% das mulheres dizem percebê-lo aqui), a África desempenha melhor nesse quesito. Na África, 27% dos cargos seniores das empresas são ocupados por mulheres, na pesquisa da Grant Thornton, ante 18% na média latino-americana, e apenas 25% das empresas africanas não têm mulheres na liderança, ante os lamentáveis 52% da América Latina.

Agora, também preciso dizer que as regiões onde se reconhece menor preconceito, como Ásia-Pacífico (5%) e Leste Europeu (4%) são as mesmas onde se testemunha maior equidade de gênero (detalho mais adiante).

MITO: ELAS ESTÃO DEIXANDO DE TER FILHOS

Isso pode ter sido verdade um tempo atrás, mas desde 2001 não é. Encontrei uma pesquisa dos economistas Moshe Hazan e Hosny Zoabi, da Universidade de Tel Aviv, segundo a qual mulheres com carreira profissional estão tendo mais filhos do que nunca, ao menos nos Estados Unidos. Segundo eles, a taxa de fertilidade entre mulheres com formação superior aumentou até 50% entre 2001 e 2011, com o acréscimo de 0,7 filho por mulher (claro que isso é uma média estatística). A hipótese é de que o aumento da renda viabilizou a decisão de ampliar a família, tanto quanto a maior oferta de serviços de cuidados das crianças.

MITO: MULHERES COM FILHOS SÃO MENOS PRODUTIVAS

No início de 2014, os pesquisadores Matthias Krapf (Universidade de Zurique), Heinrich Ursprung (Universidade de Konstanz) e Christian Zimmermann (do banco central regional) publicaram um estudo relacionando paternidade e produtividade no trabalho mais qualificado, a partir de uma pesquisa com 10.000 economistas feita no início de 2012. Queriam descobrir em que medida a produtividade desses acadêmicos variava conforme o número de filhos. A descoberta foi que mães de pelo menos duas crianças são, em média, mais produtivas do que as que têm um filho apenas; e que mães em geral são mais produtivas do que mulheres sem filhos. (Embora homens sem filhos sejam mais produtivos do que homens com um filho, homens com dois filhos ou mais mostram-se mais produtivos.)

Há, claro, um período de menor produtividade, enquanto as crianças não atingem os 12 anos de idade (a produtividade cai 17,4% em média entre as mulheres e 5% entre os homens). Vale notar que a queda é puxada pelas mães solteiras ou divorciadas; o relacionamento estável mantém a produtividade estável, enquanto para as solteiras, produtividade cai um terço.

Um achado curioso é que mulheres que têm filhos antes dos 30 anos de idade aparentam perder mais em produtividade do que as que têm filhos depois dos 30, mas o significância estatística disso é discutível.

MITO: MULHERES QUE TRABALHAM DEIXAM A DESEJAR COMO MÃES

Pesquisadores das universidades de Londres e Sevilha descobriram que as mulheres estão conseguindo passar pelo menos uma hora de qualidade todos os dias com seus filhos; em 1974, esse tempo era de 15 minutos. Isso significa que as mulheres que trabalham fora estão fazendo mais pelo desenvolvimento cognitivo dos filhos hoje do que nos anos 1970.

Um estudo publicado no The New York Times também sugere que mulheres com carreira profissional sentem menos tristeza, raiva e depressão, o que é uma boa notícia para seus filhos.

MITO: MULHERES SÃO LÍDERES RUINS

Uma pesquisa do Gallup divulgada em 2015 mostra que 40% das mulheres e 29% dos homens ainda preferem ter um chefe do sexo masculino a serem comandados por uma mulher. Esse mito é bem forte e resistente, vem do tempo em que comecei em redação de jornal.

Pois o Credit Suisse Research Institute acompanhou as ações de 2.360 empresas que tinham pelo menos uma mulher no comando durante seis anos e, publicado em 2013, revelou: as ações delas superaram em 26% as das outras companhias.

A organização não governamental Catalyst descobriu que companhias que têm maior percentual de mulheres no conselho de administração superam o desempenho médio das demais em 66%.

O que acontece é que as mulheres têm uma ideia diferente do que seja liderar, como mostra o International Business Report 2016 da Grant Thornton. Por exemplo, os executivos em geral consideram que a habilidade mais importante para um líder é a comunicação (isso aparece para 35% deles, o maior índice – sendo mais importante para 42% das mulheres e 32% dos homens). Mas o conceito de comunicação é diferente para elas e para eles. Comunicação, na interpretação masculina, são pessoas falando com outras pessoas sobre decisões que já foram tomadas. Para o público feminino, comunicação requer abertura e inclusão de outras pessoas na tomada de decisão, pois não tem a ver só com transmissão de informações, mas com construir comunidades.

Note bem que não se trata de falar de talentos diferenciados pela genética, o que é algo potencialmente polêmico, mas de como homens e mulheres enxergam de modo diferente o principal atributo da liderança.

MITO: MULHERES NÃO TRABALHAM POR DINHEIRO

Um estudo de 2010 feito na Universidade Carnegie Mellon pela economista Linda Babcock, revelou que as mulheres pedem remuneração 30% menos do que os homens.

Uma pesquisa conduzida na Manchester Business School mostrou algo pior: mulheres acreditam merecerem 20% menos do que os homens em termos salariais, por subestimarem suas habilidades. Há sete anos a professora Marilyn Davidson pergunta aos graduados, depois de cinco de se graduarem, quanto eles merecem receber, e as mulheres sempre dão números 20% inferiores aos dos homens (em geral, eles dizem 80 mil dólares anuais e elas, 64 mil dólares anuais).

Mas o estudo da Grant Thornton mostra que as mulheres estão ficando mais espertas. Quando indagadas sobre por que elas assumem posições de liderança, 28% delas citou a possibilidade de ganhar mais entre os motivos, ante 21% deles. Não é o principal motivo: antes vem a capacidade de impulsionar a estratégia (isso é o mais importante na promoção para 36% delas e 38% deles) e o reconhecimento da capacidade profissional (conta mais para 36% delas e 31% deles). Mas ainda assim querer ganhar mais não deixa de ser um trincada em um mito até então muito sólido.

MITO: ELAS ESTÃO CONCENTRADAS NO RH E NO MARKETING – E NOS SERVIÇOS

Esse mito começa a ser abalado pelo dado que eu compartilhei no início: 22% dos cargos seniores ocupados por mulheres em empresas brasileiras são de presidentes de empresas e executivas-chefes financeiras. No mundo, isso chega a 30% – 21% dos cargos são de diretoras financeiras e 9% de presidentes. E tem mais: 8% são executivas-chefes de operações e 8% de diretoras de vendas. Isso é muito interessante.

Claro que o RH e o marketing ainda são uma fatia expressiva dos cargos executivos de mulheres no mundo todo (23% e 11% desses cargos, respectivamente, são ocupados pelo sexo feminino), e tudo bem que seja assim. O RH é cada vez mais estratégico e o papa da gestão Peter Drucker dizia que o marketing ,quando realmente considerado como estratégia, é oque faz uma empresa crescer, junto com inovação. Mas, para todos os efeitos, RH e marketing são consideradas funções de apoio; cargos operacionais é são o caminho para o Olimpo empresarial.

Quanto a setores de atividade, elas ainda são mais vistas no comando em empresas de serviços do que industriais, mas tudo bem também, porque a economia como um todo está se voltando para serviços e mesmo a indústria presta cada vez mais serviços. Peguei dados do estudo 2015 da Grant Thornton, que apontavam a maior proporção de cargos seniores femininos nos setores de educação e serviços sociais (41%), cuidados com a saúde (41%) e hospedagem (33%) e varejo (22%).

REALIDADE: ONDE A MULHER É MAIS IGUAL

Contrariando o senso comum (para o qual o paraíso em se tratando de respeito às mulheres fica na Escandinávia), é nos países ex-comunistas que as mulheres estão mais bem posicionadas. Lá elas têm sido tratadas com igualdade total em todos os âmbitos, na educação, na família, no trabalho, na sociedade. Na Rússia, elas ocupam 45% dos cargos de comando das empresas, na Lituânia 39%, na Estônia 37% e na Letônia 35%, na Polônia 34%. Também há países onde as mulheres já são maioria na população.

A Ásia emergente é outra que dá uma contribuição ímpar à carreira das mulheres: nas Filipinas, 39% das posições de lideranças das empresas pertencem a elas; na Tailândia, 37%; na Indonésia, 36%; e na China, 30%. Qual a explicação no caso da Ásia emergente? A urbanização rápida quebrou com os modelos tradicionais de família.

O país velha guarda onde as mulheres têm maior ascensão empresarial é a Itália – lá, no berço da machista cultura latina, elas ocupam 29%, derrubando outro mito.

NO QUE NÃO ESTAMOS PRESTANDO ATENÇÃO

Em 2013, foi publicado nos Estados Unidos o Knot Yet Report, segundo o qual uma mulher com formação universitária que não se case antes dos 30 anos de idade ganha 18 mil dólares a mais por ano do que outra com a mesma formação que se casa aos 20 anos. Até para mulheres sem educação superior, há um prêmio em adiar o casamento, porém menor: de 4 mil dólares por ano. No caso dos homens, acontece o contrário: eles são mais bem remunerados quando se casam mais cedo.

Isso não desfaz nenhum mito; já era algo intuído. Já o fenômeno da solteirização que vem ocorrendo e que tem a ver com isso é uma iconoclastia, pois revela uma maneira inesperada de acabar com as barreiras à ascensão profissional feminina.

O fenômeno é tratado no livro All The Single Ladies – The Unmarried Women and The Rise of a Single Nation, de Rebecca Traister, que está para ser lançado, e que foi focalizado recentemente na New York Magazine. Já em 2009, menos de 50% das mulheres norte-americanas eram casadas, uma mudança de enormes proporções.

Tem mais: nestas eleições norte-americanas, em que pese o fenômeno Donald Trump, projeta-se pela primeira vez uma maioria de eleitoras mulheres não casadas. Se elas decidirem ir às urnas (na última eleição, cerca de 40% não se registraram para votar, lembrando que voto lá não é obrigatório) e se defenderem leis e estruturas que as apoiem para serem mães solteiras, a sociedade que serve de modelo ao mundo ocidental vai criar novos parâmetros a seguir.

Na verdade, será mais um importante bloco em uma construção lego que já inclui anúncios de grandes empresas como Apple e Facebook de apoiarem o congelamento de óvulos de suas funcionárias para que adiassem a maternidade.

RESUMO DA ÓPERA

Os mitos que tentei derrubar aqui (isso, se você concordar comigo que eles sejas derrubáveis) mostram que o caminho para a equidade de gênero não se constrói com obviedades discutidas em mesa de bar – estas tendem a atrapalhar, talvez.

Nem uma política de cotas, nem educação diferenciada, nem uma cultura de homens atuando em casa, nem países tidos como mais “civilizados” conseguem, por si sós, promover a mudança necessária rumo à equidade de gênero.

A ambição de mudança do status quo da mulher no trabalho é enorme e requer muita ação, algo que cabe ao governo (por exemplo, com legislações trabalhistas mais flexíveis que permitam às empresas contratarem mulheres para trabalhar quatro dias por semana em vez de cinco), às próprias mulheres (que precisam confiar mais no próprio taco – ou vão partir mais para a solteirice, mas com custo pessoal alto, imagino) e, muito importante, às empresas (que devem proativamente atrair, desenvolver e reter equipes de liderança diversificadas).

Se eu fosse escolher uma peça para empurrar e causar um efeito dominó mais rapidamente, seriam as empresas; elas poderiam empurrar governos e mulheres (embora estes se mexam também).  Como disse a este blog Madeleine Blankenstein, da Grant Thornton, o que falta é “as empresas precisarem realmente enxergar a vantagem de haver diversidade da liderança, incorporando visões distintas”.

Caro presidente de empresa, você não acha interessante para seu negócio o fato de as líderes mulheres em geral privilegiarem a colaboração em vez da simples delegação de tarefas, por exemplo, em um mundo em que o trabalho em equipe é cada vez mais estratégico?

Feliz Dia Internacional da Mulher, para as mulheres e para os homens.