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O SEGURO DE TRANSPORTES SOB ATAQUE

A tragédia que é atualmente o seguro de transporte precisa ser controlada pelas autoridades, pois impacto o custo Brasil e acabará inviabilizando a contratação desse seguro.

Antonio

26 Julho 2017 | 10h21

Quem assiste aos jornais da televisão nos dias de hoje, não pode imaginar que já houve tempo em que as seguradoras brigavam entre si pelas contas de transporte. Elas e os seguros de incêndio eram os riscos nobres do mercado.

Atualmente, a quantidade de roubos e furtos envolvendo caminhões assusta a população e afasta as seguradoras. Falar em transporte é chamar o diabo, pedir para ver alguma cena de violência, em alguma estrada ou rua brasileira.

O Rio de Janeiro tem mapeado os locais em que este tipo de ação se repete várias vezes ao dia, permitindo até que as emissoras de televisão filmem o que acontece e coloquem no ar, quase em tempo real, as barbaridades decorrentes dos assaltos aos caminhoneiros, com tiroteios, gente correndo e se escondendo onde dá, etc.

Mas não é só no Rio de Janeiro que a coisa está feia. São Paulo não aparece muito melhor na foto. Nos últimos dias a região de Guarulhos teve visibilidade especial por conta do aumento de mais de 100% nos roubos de caminhões, especialmente na região da via Dutra.

A situação não é nova. Mas vem se agravando numa velocidade impressionante. E o que causa impressão é a tranquilidade com que as quadrilhas especializadas trabalham. Os assaltantes não têm a menor preocupação em esconder suas caras, nem medo de operarem em plena luz do dia, descarregando e transferindo as cargas roubadas do caminhão transportador para veículos menores, que saem com o roteiro pré-programado, entregando as mercadorias aos receptadores, que as compram e colocam no mercado sem a menor cerimônia ou medo de serem presos.

É como se fosse uma atividade absolutamente legal. Atuam com a calma e o profissionalismo dos funcionários bem treinados e aptos a desempenhar da forma mais eficiente possível suas tarefas ao longo do dia.

O curioso é que a televisão mostra as imagens, os jornais estampam as fotografias, mas as autoridades encarregadas de combater o crime raramente chegam a tempo ou conseguem muito mais do que desarticular uma ou outra quadrilha.

As explicações são sempre as mesmas e se aproximam daqueles bonecos que falam e repetem a mesma frase. “Estamos apurando, este ano já prendemos 14 pessoas envolvidas, etc”.

Enquanto isso, no mundo real, a conversa é outra. As entrevistas com os caminhoneiros vítimas dos assaltantes explica porque vários deles preferem abandonar a profissão.

Não tem sentido passar duas vezes pela mesma experiência, sendo que a primeira serve de aviso para os riscos que ele estará correndo, caso insista em dirigir caminhão de carga pelas estradas e ruas do país.

Os proprietários das cargas, as transportadoras e as seguradoras fazem o que podem para tentar controlar um pouco a situação e diminuir os prejuízos brutais que solapam o transporte de mercadorias pelo território nacional.

Mas eles podem fazer muito pouco além de adotarem medidas de controle para minimizar a exposição de suas cargas aos ataques cada vez mais frequentes.

Além de instalarem rastreadores, viajarem em comboios, criarem rotas alternativas, aumentarem as escoltas e os pontos de controle; além de cooperarem intensamente com as autoridades policiais, não há muito mais que possam fazer.

A lei não lhes dá o poder de polícia, essencial para atuarem efetivamente na prevenção do crime, seja investigando, usando ferramentas de inteligência e planejamento para desbaratar as quadrilhas, prender seus integrantes ou atuar no momento do assalto, enfrentando os bandidos com armamento moderno, semelhante aos utilizados pelos assaltantes.

Este poder é exclusivo do Estado. Apenas as autoridades de segurança pública podem agir diretamente e reverter o quadro dramático que se espalha por todo o território nacional. Imaginar que o roubo de cargas se dá apenas no Rio de Janeiro e São Paulo é acreditar em história da carochinha.

Ou as polícias se unem em torno de um plano nacional para o combate ao roubo de cargas ou ele continuará crescendo, impactando ainda mais a conta terrível do custo Brasil, tanto pelos assaltos em si, como pela impossibilidade da contratação de seguros, já que as seguradoras se afastam cada dia mais dos seguros de transporte rodoviário.