A experiência afetiva de valorizar a biodiversidade

A experiência afetiva de valorizar a biodiversidade

Wal Flor

05 Julho 2017 | 18h33

Preservar o meio ambiente é um tema pelo qual todo cidadão tem simpatia. No entanto, contribuir para valorizar um dos nossos maiores patrimônios ainda é atitude para poucos convertidos.

A correlação entre as atividades da indústria e o meio ambiente já é assunto conhecido da população, principalmente entre os millenials. Na última década, é impressionante observar como a expectativa da sociedade para que as empresas contribuam para um mundo melhor cresceu. Neste contexto, espera-se que as companhias desenvolvam suas iniciativas não apenas dentro dos próprios muros, mas também envolvam seu entorno e mobilizem o maior número de pessoas possível.

Na nossa jornada sobre causas de marketing aprendemos que o cidadão, além de consciente e cada vez mais crítico, também quer agir, mas na maioria das vezes não sabe por onde começar. Vejo aí, portanto, uma janela de oportunidades para marcas se engajarem com causas legítimas, envolvendo a sociedade de maneira que ela possa contribuir de maneira fácil e, se possível, ainda ganhe uma recompensa pela mudança de hábito.

Somos movidos por motivações emocionais e racionais. Para os emocionais, uma boa história vai fazê-lo mover montanhas. Para os racionais a estratégia é atraí-los com benefícios que o permita conhecer o novo. Sensibilizar e atrair o cidadão para a temática é um fator fundamental. Uma vez despertado o interesse, educar para a ação passa a ser a missão de muitas marcas. O ápice acontece quando conseguimos fazer as pessoas agirem.

Neste quesito, o crowdfunding (financiamento coletivo) desponta nos últimos tempos como uma ferramenta eficiente que contribui para várias entregas: tem sempre uma história emocional, oferece benefícios racionais e contribui para projetos mais sustentáveis.

Claro que, na prática, não é fácil arrecadar a meta proposta e na verdade exige muito esforço. Histórias de empreendedores sociais e suas iniciativas criativas para arrecadar os recursos financeiros inspiram e comovem quem está longe da realidade da prática de mudar o mundo. De lançamentos de satélites a uma nova câmara fria para processar jabuticabas, acompanhar estas experiências pode ser bem educativo e divertido. Recentemente, a cervejaria Colorado, que usa ingredientes da biodiversidade brasileira na composição de seus produtos, resolveu valorizar e apoiar a causa por meio da divulgação de três projetos ligados à temática. Um deles fala exatamente da jabuticaba. No interior de São Paulo, um grupo de produtores tem como meta ampliar seu espaço e comprar uma câmara fria para aumentar a produção de produtos à base de jabuticaba. Em parceria com a EMBRAPA, eles desenvolveram uma técnica que transforma a fruta em pó e facilita a produção de diversos produtos, como o jabutipasta – o famoso macarrão de jabuticaba da fazenda. Como esta é minha fruta favorita e também adoro cerveja, lá fui eu contribuir com a causa.

Para minha surpresa, descobri que ao doar os R$100,00 para a campanha, eu teria direito a ir até a fazenda e colher jabuticaba no pé, na época da safra. Mesmo para mim, uma convertida das causas sociais e ambientais, o benefício racional me fez sonhar com a colheita junto com meus filhos, numa experiência que com certeza vai trazer muita memória afetiva para a família toda. Sinto o gosto da infância… Já experimentou valorizar a biodiversidade? Delicie-se.