Afinal, o que esperar do SXSW?

Afinal, o que esperar do SXSW?

Wal Flor

27 Março 2018 | 15h50

Por Carla Crippa, diretora de Sustentabilidade da Ambev

Acabei de voltar do SXSW. Já tinha ouvido muitos elogios sobre o festival, mas foi somente ao chegar lá que me dei conta da sua magnitude. São milhares de pessoas acompanhando por mais de uma semana um conteúdo muito rico e diversificado.

O motivo da minha viagem foi um convite que recebi para falar sobre como as marcas podem escalar soluções para problemas sociais. Dividi o painel com Rogerio Oliveira, da Yunus Negócios Sociais, Nicholas Haan, da Singularity University, e Simon Romero, do New York Times. Fui falar da AMA, uma água mineral – que ajudei a lançar no ano passado – que reverte 100% do seu lucro para levar água potável aos brasileiros que vivem no semiárido.

O público do festival é extremamente diverso. Você encontra de adolescentes a idosos, especialistas a leigos, aficionados por tecnologia a pessoas que nunca ouviram falar de tecnologia exponencial, americanos a iranianos. E, logicamente, os brasileiros, que representam uma das maiores nacionalidades estrangeira no festival.

Eu estava perdida com tantas palestras e ações interessantes acontecendo ao mesmo tempo. Queria ver tudo que me interessava, mas logo percebi que isso seria impossível. Montei minha agenda de acordo com o meu interesse pelos temas e palestrantes, selecionando alguns mais próximos da minha área de atuação (sustentabilidade) e outros totalmente desconhecidos.

Logo no primeiro dia, descobri que uma das “sensações” do evento era a série Westworld. Gostaria de ter visto pelo menos um episódio para ter algum repertório e poder conversar sobre o tema. Mas, sendo sincera, eu ainda não sabia que se tratava de uma série de televisão. As palestras e ativações relacionadas à série foram um sucesso, acumulando filas gigantescas.

À medida em que o tempo passava, a minha frustração em desconhecer Westworld só crescia. Até que cedi à curiosidade e decidi desvendar o mistério. Consegui me colocar em uma sala com outras 4 mil pessoas assistindo ao depoimento de membros do elenco do filme. Foram 30 minutos apáticos, em que pude atestar que ficção científica não é mesmo a minha praia. Mas, de repente, comecei a ouvir gritos eufóricos e ver 4 mil pessoas se levantando com os celulares a postos. Alguém havia sido anunciado para subir ao palco, mas na minha abstração perdi o seu nome. A comoção foi tamanha, que imediatamente pensei haver alguma celebridade ou quem sabe Trump dando uma passadinha em Austin. Infelizmente, eu estava na última fileira da sala e mal pude reconhecê-lo à distância. A emoção dos meus vizinhos era tão grande que não ousei interrompê-los para confirmar quem era o convidado surpresa. Para minha sorte, ele pegou o microfone e logo apareceu no telão uma imagem salvadora:  um carro sendo enviado para o espaço! Sim, era Elon Musk, fundador e CEO da Tesla Motors e da Space X.

O que Westworld e Elon Musk têm em comum? Não me é tão claro. Mas, graças ao sucesso da série, consegui um clique da grande personalidade do SXSW, fazendo do momento que poderia ser uma experiência, pessoalmente, pouco empolgante, um dos pontos altos do meu SXSW.

Afinal, o que esperar do SXSW?
Diante dessa experiência, a resposta fica clara: definitivamente, o inesperado.