Como transformar São Paulo numa cidade inteligente?

Como transformar São Paulo numa cidade inteligente?

Wal Flor

17 Agosto 2017 | 11h41

Segundo o pesquisador americano Boyd Cohen, Ph.D em urbanismo e uma das referências na elaboração de metodologias que definem as smart cities, cidades inteligentes são as que têm a capacidade de se desenvolverem economicamente ao mesmo tempo em que aumentam a qualidade de vida dos habitantes, gerando eficiência nas operações urbanas.

Neste contexto precisamos nos conscientizar de que cidades são construídas não apenas por políticos e governantes. As cidades são reflexo da cultura, criatividade e valores dos que residem em sua região urbana, seja ela pequena ou grande.


O prefeito de São Paulo, João Doria, quer transformar a capital numa smart city, mas para isso precisamos garantir uma agenda multistakeholder envolvendo governo, empreendedores, investidores, iniciativa privada e organizações sociais. Só assim vamos alinhar os principais desafios e as metas que queremos alcançar. É um projeto da cidade, não pode ser de apenas um governo, de uma gestão.

Créditos: divulgação

Com o avanço da tecnologia, teremos cada vez mais dados para analisar e antecipar as necessidades da metrópole, mas precisamos fazer isso de uma forma mais orquestrada.

Como criar novas oportunidades econômicas?
Como podemos aproveitar melhor o interesse da iniciativa privada?
Como a tecnologia pode contribuir para nosso modo de viver, de trabalhar e se divertir?

E é sob esta lente, de melhorar a vida das pessoas nos centros urbanos, que vejo um movimento global para discutir o assunto. A inovadora Singularity University lançou recentemente um programa em parceria com empresas dos EUA, o SU Smart City Accelerator, uma oportunidade para startups construírem soluções ligadas a mobilidade, conectividade, internet das coisas, big data, energia e outras áreas, que beneficiarão o bem estar da população nos próximo anos. Os participantes do programa irão receber mentoring de grandes empresas como Google, treinamento para escalonar suas soluções rapidamente, acesso as grandes empresas ligadas ao tema, e mais de 100 mil dólares, distribuídos entre eles.

O maior festival de inovação do mundo, o SXSW, que acontece anualmente em Austin, uma cidade a caminho do futuro, anunciou recentemente que na edição de 2018 haverá uma trilha especial de palestras e debates para discutir o assunto, o Cities Summit. O prefeito da cidade, Steve Adler, resume bem o espírito da iniciativa: “As cidades estão na linha de frente da mudança em nossa sociedade. As cidades são onde a expansão econômica, as novas ideias e os avanços culturais ocorrem e onde mostramos que inclusão e diversidade não são encargos para tolerar, mas necessários, ingredientes para o sucesso e a sobrevivência. As cidades não são bolhas onde preservamos o passado. As cidades são incubadoras do futuro”

Precisamos colocar São Paulo neste contexto e evitar iniciativas pontuais e assistencialistas das empresas. Precisamos ter um plano maior e mais consistente. Uma oportunidade para marcas criarem e ativarem suas causas de forma mais transformadora.

Bora acreditar e fazer acontecer!