EM TEMPOS DE BLOCKCHAIN E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, QUAL O FUTURO DA FILANTROPIA?

EM TEMPOS DE BLOCKCHAIN E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, QUAL O FUTURO DA FILANTROPIA?

Wal Flor

17 Outubro 2017 | 19h45

Recentemente aconteceu o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais, promovido pelo IDIS em parceria com o World Affairs Conuncil. O evento visa promover a reflexão, inspiração e evolução da prática do investimento social privado realizado por empresas, fundações institutos e indivíduos.

O tema central do evento foi como medir e realizar iniciativas de sucesso. E o que é sucesso em se tratando de desafios e iniciativas de longo prazo? Novas tecnologias, metodologias, novos entrantes e investidores estão causando revolução não só no mundo corporativo, mas também nas iniciativas sociais.

Grandes filantropos, famílias e fundações estão cada vez mais atentos a atrelar o investimento social com objetivos mais claros, foco, metas, tecnologias e avaliações que sejam mais eficientes.

Temas como big data, blockchain e inteligência artificial apareceram timidamente no evento, o suficiente para provocar o papel das organizações sociais no futuro tecnológico. Se estas tecnologias nos trazem mais transparência, reduzem custos e confiança, por que serão necessárias organizações intermediárias?

Com a possível democratização do blockchain, doações poderão ser feitas diretamente entre doador e beneficiário, economizando entre 10 e 20% de taxas que ficam nestas organizações. Não tenho dúvida dos resultados sociais, humanos que estas organizações realizam, mas um novo modelo de atuação também precisa ser discutido no 3o setor.

No futuro, as micro doações – copiando o mesmo modelo da indústria da música –
poderão beneficiar milhões de pessoas diretamente. Nos EUA, organizações já estão planejando o que fazer com o tempo ocioso dos carros autônomos para transportar passageiros de comunidades de baixa renda sem acesso a transporte.

Outro ponto de destaque no evento foi a conversa entre as representantes das famílias mais ricas e poderosas do país. As mulheres da família Setubal, Abilio Diniz e Feffer têm em comum desde a infância o questionamento e a indignação de um mundo com tantas desigualdades sociais. E se antes o assunto era (e muitas vezes ainda é) tratado apenas entre os seres do sexo feminino da família, cresce o interesse e a aproximação do tema para os negócios.

Portanto, os homens perceberam que, além de reduzir riscos e encontrar novas oportunidades de negócio, é essencial contribuir para criar sentido no propósito de vida da 3a e 4a geração familiar. Como disse Mariana Feffer, representante da 4a geração do Grupo Suzano: “…meus avós conquistaram o topo do Everest com seus empreendimentos. Nós, netos e bisnetos, chegamos lá de helicóptero. O que nossa família quer deixar de legado? Como enxergamos os grandes desafios globais e como podemos contribuir de forma mais eficiente? Planejar ações com dados, usar as informações e avaliações da melhor forma possível é papel não só de gestores de negócio, mas deve ser tema de investimento social também.” Segundo Mariana, grande parte dos representantes destas famílias ainda investem pensando apenas no “feel good”, em reduzir a culpa por ser rico, e não no seu potencial como agentes transformadores da sociedade.

Em tempos de tecnologias exponenciais, ser humano ainda é a melhor invenção.