Furacão SXSW, seu rastro mais transformador

Furacão SXSW, seu rastro mais transformador

Wal Flor

23 Março 2018 | 18h31

Por Allan Macintyre – Head Global de Marketing e Branding da Embraer

Pronto, passou.  Foi novamente um furacão no Texas, mais especificamente em Austin.

O texto vem com efeito retardatário pois, diante de tanta informação e inspiração, precisava assentar algumas ideias.

Alguns saem do SXSW com a com bustão perfeita para alçar voos curtos: o que se vê e aprende em Austin, fica comigo e no meu mundo, para os meus clientes. Outros saem tão inspirados que começam a transformar. Alguns embasbacados. Ou frustrados, porque perderam palestras que aconteciam simultaneamente à genial palestra que já assistiam.

Eliminar os chavões ou as máximas verdadeiras inerentes ao próprio South by Southwest ajudariam na reflexão e no pensamento descontaminado do que seria, em análise mais resumida, o mais importante neste processo de intensa osmose.

É muito mais do que inovação, inteligência artificial, robótica, boas experiências, futuro das cidades ou da mobilidade urbana (a qual orgulhosamente faço parte junto à Embraer).  É muito mais do que música ou cinema.  É uma aula magna de ecossistema.

Poderia escrever um tratado sobre toda a experiência, porém pensei em como resumir quase em um tweet (este também nascido no próprio SXSW), tentando refletir como as coisas se sedimentaram para mim: trata-se de uma imersão diária e intensa dentro do showcase de um dos ecossistemas de fomento à inovação criativa e transformadora à lá América: grandiloquente. E atenção: é só “um dos” ecossistemas. Um showcase. Tudo condensado, tudo intenso e no estilo rolo compressor.

É impressionante como as coisas rodam e se interconectam.  O Americano não tem medo de tentar, falhar, tentar, falhar e depois de muito percorrer esse processo de aprendizado, acertar. Mas de maneira sistemática.

O mundo todo está lá, literalmente.  Em uma das entrevistas em profundidade de UX, voltado ao futuro do eVTOL (a onda que a Embraer está surfando, conhecido como os “carros voadores” trazendo os Jetsons já para 2020), nosso designer nipo-brasileiro, vendo a dificuldade dos entrevistados se expressarem em inglês, matou no peito e conduziu o questionário em japonês mesmo. Jogo de cintura e criatividade é com a gente mesmo.

Ouvimos e desenhamos eVTOLs como retratos falados in loco. Só nós, brasileiros, estávamos de fato ouvindo as pessoas nas ruas e co-criando com elas.

Sendo uma das maiores delegações de estrangeiros por lá, temos a obrigação de disseminar, ensinar e estimular para que mais daquilo que vemos por lá, aconteça por aqui.

Num país como o nosso, gigante pela própria natureza, eficiente em prestar excelentes serviços, em fazer as lindas Olimpíadas de 2016, os tantos Rock in Rio, além de produzir tão boa música tipo exportação, futebol-arte, design que transborda, criatividade que encanta. Precisamos testar o benefício da disciplina, da tentativa e erro construtivista. Temos o dever, como executivos e empresários, de criar nossos ecossistemas e sermos matrizes e motrizes da inovação.

Por mais empresas como a Embraer e sua engenharia criativa. Pois somos sim capazes e acima da média em muitas coisas. Só falta aprender, implementar, amplificar e dar escala.