O acordo de Paris e o carro que você usa

O acordo de Paris e o carro que você usa

Wal Flor

16 Junho 2017 | 17h00

Recentemente, o acordo de Paris ganhou visibilidade extra, gerada pela polêmica saída dos EUA do acordo – mais uma das questionáveis atuações de Donald Trump. O acordo, assinado em dezembro de 2015, prevê que os países devem trabalhar para manter o aquecimento global muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. A saída dos EUA, segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa (GEE), pode minar o acordo internacional – o primeiro da história em que os 195 países da ONU se comprometeram a reduzir suas emissões.

Por mais que vários estados americanos já se mostraram contra a atitude do presidente, o fato pode atrapalhar as políticas e incentivos estaduais e nacionais para a redução do GEE. Importante deixar claro para a sociedade que não estamos apenas discutindo a sobrevivência dos ursos polares. Existe uma agenda econômica por trás destes acordos, envolvendo governos, iniciativa privada e nós, consumidores de produtos que podem contribuir mais ou menos para este movimento.

A indústria de automóveis, por exemplo, considerada uma das vilãs do mundo atual no quesito GEE, já entendeu e começou, mesmo que lentamente, a mudar suas estratégias de longo prazo para sobreviver nos próximos 20 anos. Não é à toa que a Tesla, indústria de carros elétricos dos EUA, já vale mais do que a centenária GM. Sem contar o escândalo da VW que contribuiu ainda mais para desconfiarmos destas marcas que só têm propósitos no papel.

O futuro da nossa mobilidade ainda vai nos surpreender muito nos próximos anos. Cada vez mais vejo pessoas que não têm interesse em ter um carro. Mais acesso e menos posse é a tendência. As soluções de compartilhamento de carros, por exemplo, já nascem com grande expectativa de investidores, como é o caso da startup brasileira Parpe https://www.parpe.com.br, a AIRBnB dos automóveis.

A participação de governos é importantíssima neste movimento para garantirmos que teremos, de fato, incentivos fiscais para veículos limpos. Caso contrário, somente milionários terão acesso aos maravilhosos carros da Tesla. Democratizar o acesso das pessoas para uma economia mais verde é um desafio de todos nós. Uma vez que, além de incentivos fiscais, outra pressão que move as empresas a oferecer algo mais “sustentável” para nosso planeta é o desejo e vontade dos consumidores.

Neste contexto temos que ter a consciência que, com pequenos gestos, também podemos fazer a diferença. Para distâncias curtas, vá a pé. Distâncias médias, procure um transporte alternativo e deixe o automóvel para viagens longas. Não é fácil mudar de hábito, mas há sempre um começo. Com menos radicalismo e mais na linha da redução de danos podemos trazer novos públicos para esta mudança de comportamento. Agora, se o seu carro é movido a diesel, por favor se desfaça dele imediatamente.