O futuro das mães

O futuro das mães

Wal Flor

11 Maio 2018 | 16h20

Em tempo de tecnologias exponenciais, futuro do trabalho e toda esta mudança de era que estamos vivendo, o dia das mães merece uma reflexão sobre o papel das mães no futuro. Dar conta da carreira profissional, vida pessoal e filhos é um malabarismo que poucas mulheres conseguem fazer sem sofrer algum tipo de dano, seja econômico ou emocional. E as empresas tem papel fundamental nesta questão.

 

Pensando nisso, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres, com o objetivo de auxiliar a comunidade empresarial a absorver nos negócios valores e práticas para garantir equidade de gênero e empoderamento feminino. No Brazil, diversas empresas assinaram, mas a realidade é outra, então é necessário lutar pelas mudança necessárias.

 

Dados do IBGE comprovam que, mesmo sendo maioria entre pessoas com ensino superior completo, as mulheres ainda não alcançaram a equidade no mercado de trabalho em relação aos homens. Essa diferença aparece em outras áreas além da educação, segundo o estudo “Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil”, publicado nesse ano. O estudo conta que as mulheres dedicam mais tempo cuidando de terceiros ou de afazeres domésticos em comparação aos homens, cerca de 8 horas a mais.

 

É importante apontar que esse indicador destaca um trabalho não remunerado que é executado principalmente pelas mulheres e tem pouca visibilidade. Em alguns casos, o peso da dupla jornada obriga mulheres a aceitar trabalhos mais precários.

 

Garantir melhores condições para mulheres também pressupõe, por exemplo, deixar homens mais tempo em casa para cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos. A licença paternidade de 5 dias não é suficiente e consequentemente não é justo. A amamentação justifica o tempo maior em casa das mulheres, mas e todas as outras coisas que precisam ser feitas além de amamentar? Quando as empresas vão, de fato, mudar estas políticas de forma massificada?

 

A imagem de mulher maravilha que resolve tudo não cabe mais nem na ficção. A vida real é dura e os filhos, meninas e meninos, têm que compreender este novo papel no mundo.

 

Ao buscar estas mudanças no meu contexto cotidiano, a sororidade (união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum) aparece como recompensa: ao compartilhar com minha filha que, assim como ela, eu também tinha muitas lições a fazer, como escrever este texto, ela se colocou à disposição para me ajudar: “mãe, eu sei que é difícil falar sobre o nosso futuro… então por que você não faz um poema?” E assim, do alto da sua sabedoria de 10 anos de idade, ela rapidamente escreveu um poema e me emocionou ao resgatar o significado de ser mãe. De uma coisa podemos ter certeza, o futuro das mães é, e sempre será, com muito amor.

 

 

Poema do dia das mães, por Liz Lescher

Minha mãe briga,

Mas também brilha

 

Ela cansa,

Mas nunca descansa

 

Mãe ama,

Filho faz drama

 

O filho amadurece,

E a mãe cresce

 

Você não pode esquecer

Que amor de mãe

Você sempre vai ter

E nunca vai perder

 

O que pode acontecer

É esse amor só crescer.