Altos e baixos

Cida Damasco

27 Dezembro 2017 | 17h58

 

Os primeiros números sobre o balanço de vendas do Natal comprovam o que todos imaginavam, simplesmente pelas imagens do movimento nas ruas de comércio popular e nos corredores dos shopping centers. Houve um aumento significativo dos negócios sobre os últimos anos, em que a recessão castigou a economia brasileira, segundo pelo menos três grandes indicadores: 4,7% nas consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito, para vendas a prazo, considerando a semana anterior ao Natal,  6,% nas vendas dos shoppings em todo o País, de acordo com a associação do setor, a Alshop, e 5,6% nas vendas do comércio em geral, conforme a Serasa Experian. Na mesma linha, o índice de confiança do comércio, acompanhado pela FGV, avançou em dezembro e atingiu o maior nível desde julho de 2014.

O levantamento do Cadastro Geral de Empregos (Caged) sobre a criação de vagas com carteira assinada mostra, porém, um quadro diferente: depois de sete meses seguidos de números positivos, foram fechados quase 12,3 mil postos de trabalho formal em novembro, na estreia da reforma trabalhista, e todos os setores ficaram “no vermelho”, à exceção do comércio.

Nos três levantamentos sobre o desempenho do comércio no Natal, os sinais são de ânimo nos negócios neste começo de ano, levando-se em conta que depósitos de lojas esvaziados no período de festas ajudam a sustentar a produção industrial no primeiro trimestre – e contribuem para a transformação de empregos temporários em contratações, o que, num ciclo virtuoso, acaba revertendo em melhora da atividade econômica. Os bons resultados contabilizados pelas grandes lojas na Black Friday já haviam indicado um Natal mais favorável – mesmo considerando-se a repetição de fraudes e outros problemas que, no Brasil, comprometem a credibilidade das promoções. No caso do Caged, o balanço de novembro, isoladamente, pode suscitar dúvidas sobre a continuidade da melhora no mercado de trabalho.

É preciso, contudo, relativizar os resultados nos dois fronts, antes de contar com uma aceleração dos negócios a curto prazo ou, na outra ponta, com uma parada na recuperação dos empregos. Para começar, os aumentos de vendas no Natal foram registrados m relação a uma base fraca. Foram dois anos de queda nas consultas ao SPC e três anos, nas vendas dos shoppings e do comércio em geral, pelo termômetro da Serasa. Além disso, eles responderam também a estímulos específicos ao consumo, como é o caso, mais recentemente, dos saques do PIS/Pasep.

Do ponto de vista do emprego formal, também é importante avaliar com cautela essa queda no mês. Especialmente porque novembro costuma ser um mês não favorável à abertura de vagas formais. E, neste ano, as próprias dúvidas em relação às novas regras trabalhistas também podem ter inibido as contratações. O que há de certo, mesmo, é que está em curso um movimento de retomada da economia brasileira. O ritmo, contudo, depende, fundamentalmente, do cenário político que se desenha para 2018.