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Cida Damasco

19 Abril 2017 | 20h28

Conforme o esperado, depois de vários embates o governo acabou cedendo às pressões e optou por apresentar uma proposta de reforma da Previdência que considera mais palatável. Suavizou o regime de transição, reduziu o tempo de contribuição necessário para garantir a aposentadoria integral, criou algumas diferenças para as mulheres, inclusive na fixação da idade mínima, flexibilizou as regras da aposentadoria rural, do pagamento dos benefícios de prestação continuada e do acúmulo de pensões/aposentadorias. E, de quebra, apertou um pouco as regras para políticos, quase como um efeito-demonstração de que a reforma vale para todos – e não apenas para os trabalhadores da iniciativa privada, como até agora tudo levava a crer, alimentando boa parte das críticas à proposta do Planalto.

As reações às mudanças introduzidas no texto final, inclusive às “surpresinhas” preparadas pelo relator, deputado Arthur Maia (PPS-BA), também não foram surpreendentes. O mercado não gostou dos chamados recuos, que retirariam algo como um quarto da economia calculada pela equipe econômica para defender o texto original. Os parlamentares, como mostra o Placar da Previdência publicado pelo Estadão, também não caíram de amores pela proposta. Sinal de que os ânimos continuam acirrados e de que o governo terá de “entregar” mais ao Congresso, já no plenário, para conseguir passar a reforma.

Qual seria, no final das contas, o cenário mais otimista para o governo? Os dois lados considerarem que o saldo das negociações é ”o menos pior” . Ou seja, o mercado e os setores empresariais considerarem que é melhor alguma reforma do que nenhuma. E contarem com a hipótese de que um novo governo, sacramentado pelas eleições de 2018, terá condições de tocar uma nova rodada – ou melhor, uma nova reforma. E a oposição? Conformar-se com a reforma e pensar que ela poderia ter sido mais dura, caso ficasse mais próxima do texto original.

Até se chegar a esse meio termo, contudo, muita água vai rolar . Vamos lá a algumas perguntas que estão  no ar:

  • A aprovação do regime de urgência para a reforma trabalhista pode ser um bom sinal para a reforma da Previdência?
  • A rapidez com que o relator da reforma da Previdência se moveu para reduzir a idade mínima para a aposentadoria dos policiais, depois do conflito de terça feira no Congresso, pode “animar” outras categorias a reforçar seus lobbies?
  • As manifestações programadas para o dia 28 poderão azedar mais ainda o clima em relação às reformas?
  • Por fim, ela sempre ela: A Lava Jato poderá produzir mais estragos?

Como dá para ver, tudo é possível. Incerteza ainda é o nome do jogo para a reforma da Previdência.

 

 

 

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