Mais um sinal de freio no crescimento

Cida Damasco

03 Maio 2018 | 15h57

Pouco a pouco vai se disseminando a avaliação de que aquelas projeções animadoras de um crescimento do PIB de 3% e até mais, no fechamento do ano, ficaram para trás. Calma! Não houve nenhum desastre, pelo menos por enquanto, mas que a economia empacou, empacou. São os sinais emitidos por alguns indicadores importantes da atividade econômica neste início de ano.

O mais recente, divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira, é a produção industrial, que mostrou um recuo de 0,1% em março, na comparação com fevereiro, e uma alta de 1,3% sobre março do ano passado. No primeiro trimestre, fechado, o resultado foi um crescimento de 3,1% sobre o mesmo período do ano passado. Desempenho favorável, mas que precisa ser devidamente relativizado, tendo em vista a base ainda fraca de comparação. Além disso, em relação ao último trimestre, houve um empate. E, nesse caso, empate não parece um bom resultado, já que não classifica a economia para uma rodada de crescimento acelerado e consistente.

Outros indicadores, como o comportamento do setor de serviços e do varejo no bimestre e o próprio desemprego no trimestre, já vinham apontando na mesma direção. E, apesar de todas as nuances técnicas das análises — que devem ser destacadas, é claro –, o fato é que é a economia pisou no freio nos últimos meses. Tudo aponta, agora, para uma retomada mais lenta e mais na dependência de quem e o que vier em 2019.

Até pouco tempo atrás, havia uma esperança, pelo menos nos círculos do governo, de que, perto das eleições, a economia estaria caminhando num ritmo mais firme e, com isso, aumentaria a percepção da melhora por parte do conjunto da população. Ao que tudo indica, esperanças frustradas.

Nem a retomada, no nível em que vinha ocorrendo, passou a ser reconhecida pelos cidadãos comuns — especialmente porque o número de trabalhadores desempregados continua elevado, da ordem de 13,7 milhões no primeiro trimestre, e os postos que estão sendo recuperados são, na maioria, restritos ao círculo da informalidade. Nem esse processo se fortaleceu.

A temporada atual é de tremores nos mercados, em consequência das perspectivas de alta nos juros americanos, com algum componente do cenário político interno, cujas incertezas demoram a ser eliminadas e podem até atravessar a Copa do Mundo.

Ainda é muito cedo para se avaliar o potencial de estragos dessa nova escalada do dólar, inclusive nas finanças de empresas endividadas. Mas já há quem tema que, na mão contrária, dessa vez seja sejam os mercados a contaminar a economia real. O que, no Brasil, coincidiria com a troca de guarda no Planalto.