O PIB do FMI: melhorou, mas piorou…

Cida Damasco

17 Abril 2018 | 16h56

Afinal, a atividade econômica do Brasil melhorou ou piorou? A retomada avançou ou empacou? Dois indicadores, divulgados nesta segunda e nesta terça-feira, podem dar a impressão de que há avaliações contraditórias sobre o estado atual da economia. Um olhar mais atento, porém, mostra que, neste caso, não há exatamente divergências. Trata-se apenas de um questão de “timing” dos levantamentos.

Tudo indica que a revisão das projeções de crescimento mundial anunciada pelo FMI, que colocou para cima a evolução do PIB brasileiro em 2018, tem um certo atraso. A “melhora” da economia brasileira, vista pelo novo relatório Perspectiva Econômica Mundial, resulta da comparação com o documento de janeiro — e, como se sabe, dos últimos meses de 2017 em diante, o clima mudou bastante por aqui, com projeções de crescimento do PIB para 2018 saindo de 3% e até mais para, mais recentemente, 2,5% e até menos.

O quadro refletido no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostra bem essa mudança. Depois de uma queda de 0,65% em janeiro, o indicador registrou uma variação de 0,09% em fevereiro, mais próxima, portanto, de uma estabilidade. Está em curso, sem dúvida, uma revisão das projeções para 2018, mas para baixo.

Quando se levam em conta estritamente os números apurados pelo FMI e os que circulam pelas telas de analistas e economistas no Brasil, é possível verificar que não há contradição. O número do FMI é até inferior ao considerado pelos mercados: 2,3% frente a 2,76%%, segundo a última pesquisa Focus. Aliás, o crescimento de 1,9%, que constava do levantamento de janeiro do FMI, já estava em total desacordo com as expectativas gerais. Em outras palavras, houve melhora sim, mas em relação a uma base de comparação muito baixa.

Desencontros de números e verbos à parte, o fato é que o freio à retomada da economia brasileira não é mais objeto de divergências. Nem fora nem dentro do próprio governo. Prova é que o Planalto está tratando de desencavar novas medidas de estímulo à atividade econômica. É o caso das insistentes tentativas do Banco Central de forçar a redução dos juros na ponta dos tomadores de crédito, do corte de taxas em linhas do financiamento da casa própria, anunciado pela Caixa Econômica Federal, e da provável liberação de saques do PIS-Pasep para todos os trabalhadores com depósitos até 1988 — a recente liberação para idosos, ao que parece, frustrou quem contava com a repetição do efeito-FGTS no consumo. O cálculo é que, desta vez, cerca de R$ 15 bilhões migrarão do PIS-Pasep para o mercado.

Se a hipersensibilidade da economia à política tende a resultar num enfraquecimento ou pelo menos num não-fortalecimento da retomada, não se pode negar que o movimento contrário também funciona. Ou seja, quanto mais a atividade econômica for afetada, maior é a mexida no cenário eleitoral, com abalo na candidatura ou candidaturas governistas. Aquele descolamento entre política e economia, tão festejado pelos mercados, se algum dia existiu de fato, acabou de acabar.