Sem sustos nos mercados, cenário de estabilidade

Cida Damasco

07 Fevereiro 2018 | 19h31

Parece que agora terminou. O comunicado do Copom, depois da reunião desta quarta-feira, aponta para o encerramento do ciclo de redução da Selic, a taxa básica de juros. Com um corte de 0,25 ponto porcentual, o 11º consecutivo desde outubro de 2016, a taxa caiu para 6,75% ao ano, piso histórico, e agora as expectativas são de estabilidade para os próximos meses. Inflação bem comportada e atividade econômica moderada, ainda que em retomada, explicam a decisão unânime dos integrantes do comitê.

A confirmação dessas projeções para o quadro econômico depende de que os mercados não sejam sacudidos por nenhum grande tremor daqui para frente. Lá fora, o risco é a repetição — ou, pior ainda, o agravamento — de sustos como os desta semana, atribuídos à avaliação de que a economia americana está numa trajetória de aquecimento e, por tabela, sujeita a um surto inflacionário. Aqui dentro, o perigo está na campanha eleitoral, especialmente no caso de algum candidato antimercados se mostrar viável, nas pesquisas de intenção de votos.

Se tudo correr conforme o previsto, dentro dos trilhos, as perguntas são as de sempre. Ou seja, quando os juros cobrados aos tomadores de empréstimos — empresas ou pessoas físicas — cairão a níveis civilizados. Uma análise mais atenta do panorama dos juros e crédito no Brasil, no fechamento do ano passado, dá a dimensão da distância que ainda há a ser percorrida até se atingir esse objetivo.

É inegável que houve uma redução razoável nos juros na ponta ao longo de 2017. Segundo levantamento do Banco Central, a taxa média das operações de crédito do sistema financeiro chegou a 25,6% ao ano em dezembro, 6,6 pontos abaixo do nível registrado 12 meses antes. Na carteira livre, a média alcançou 40,3% ao ano, com uma queda de 11,9 pontos também em 12 meses. E no crédito às famílias, ela ficou em 31,9% ao ano, com uma redução de 10 pontos porcentuais. Uma queda bastante significativa foi observada no cartão de crédito rotativo, alvo de medidas específicas adotadas pelo governo.

O próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reconhece que está na hora de atuar em direção a uma redução mais acentuada também nos juros do cheque especial — que se aproximam dos 300% ao ano. Mas não diz o que será feito para isso: limita-se a declarar que o Banco Central está estudando “várias coisas” nessa direção.

Porém, mesmo com esses recuos no custo dos empréstimos, os juros continuam gordos demais, principalmente para pequenos empresários ou para consumidores em geral. Que o diga qualquer cidadão obrigado a negociar com um gerente de banco para contratar um novo empréstimo ou, pior ainda, para rolar uma dívida.