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Cida Damasco

16 Fevereiro 2017 | 16h37

Como não podia deixar de ser, a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) de 2016, que costuma dar pistas do desempenho do PIB, reforçou os argumentos de quem acredita que a economia brasileira demora a se recuperar. Afinal, o resultado acumulado no ano passado foi uma respeitável queda de 4,55% sobre 2015 e um nível mais baixo desde dezembro de 2009. Em dezembro, especificamente, o IBC-Br caiu 0,26% sobre o mês anterior e 1,82% sobre dezembro do ano anterior –um desempenho pouquinho melhor, ou menos pior, do que o mercado previa.

Para quem examina com atenção indicadores espalhados pela economia, há até, aqui e ali, alguns sinais de alívio na crise, como é o caso do comportamento da produção industrial em dezembro, segundo o IBGE, ou da reação dos investimentos também em dezembro, de acordo com o chamado Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo. Porém, nada capaz de entusiasmar os analistas e muito menos a população. Prova é que, como mostra reportagem de Adriana Fernandes publicada no Estadão, a ala política do governo Temer tenta empurrar uma agenda capaz de dar algum gás à atividade econômica e seja “percebida” como tal pela população. Melhor dizendo, pelo eleitorado. A queda na avaliação do governo Temer, destaque da pesquisa da CNT divulgada esta semana, acendeu o sinal de alerta.

A equipe econômica trabalha com a hipótese de que, no último trimestre, o PIB estará rodando a um ritmo de crescimento de 2% anualizado. A previsão para a variação acumulada no ano continua na faixa entre 0,5% e 1%. Pela lente dos analistas, até que não seria tão ruim, comparando-se com três anos de resultados negativos que configuram a maior recessão do País nos últimos 100 anos. Tecnicamente, será o fim da recessão.

Acontece que, para a população em geral, esses números não querem dizer muita coisa. São sutis demais, principalmente para quem convive com um quadro de forte desemprego. A sensação térmica continua a ser de recessão. A atividade econômica parar de cair e estacionar num patamar muito baixo, que é o que se espera, não anima muito o cidadão comum. O que ele aguarda ansiosamente não é a estabilização das taxas de desemprego, mas a volta das contratações. E isso ainda leva algum tempo.

 

 

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