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Lama no consumo

Tragédia de Mariana deixa a lição sobre a importância de repensarmos nossos padrões de consumo

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11 Janeiro 2016 | 09h58

Já se passaram mais de dois meses da tragédia de Mariana que ceifou 19 vidas (dois ainda desaparecidos) e desgraçou milhares de sobreviventes, seus passados, seus presentes e seus futuros de sonhos.

Além da tristeza e revolta, fica a lição sobre a importância de repensarmos nossos padrões de consumo. No último dia 5, tive o dissabor de assistir na TV uma entrevista com o Presidente da Vale do Rio Doce (uma das acionistas da empresa Samarco, responsável pela represa destruída). Ele procurava escapar das responsabilidades que sua empresa tem nessa destruição.

Alegou assumir as responsabilidades, mas que elas terão de ser cumpridas no longo prazo (“O Rio Doce é o berço da Vale” e outras beatitudes), já que a multa de R$ 21 bilhões imposta teria que corresponder a uma ação de recomposição ambiental feita pela própria empresa ao longo de 10, 20 anos.

Enquanto isso, o prefeito e a população de Mariana chamam a atenção para os problemas econômicos e sociais dos seus habitantes em decorrência da interrupção da produção. Ou seja, é necessário voltar a produzir. Como? Construindo outra barragem?

Será que enlouquecemos? Que a produção de bens e serviços é ao mesmo tempo um processo de destruição de recursos naturais sabemos há muito tempo. Mas também sabemos da finitude desses recursos que ameaça a própria sobrevivência da espécie humana.

Quem quer que tenha visto as fotografias aéreas antes do rompimento da barragem e o complexo de duas outras barragens adjacentes, deve ter se perguntado como foi autorizado o fechamento daqueles vales e sua progressiva inundação com resíduos do processo de produção do minério. Não se trata de voltar à vida nas cavernas, mas será que não é possível alguma racionalidade nessa destruição?

Quem deu autorização ambiental para esse crime? Qual diretor da empresa Samarco ou da Vale do Rio Doce é responsável pela segurança das represas? Temos que passar a pensar que decisões empresariais e institucionais são decisões de pessoas que devem ser responsabilizadas judicialmente pelos crimes/assassinatos cometidos. A empresa tem de ressarcir prejuízos, mas pessoas têm de ser processadas criminalmente.

Finalmente, nós consumidores, temos que passar a pensar e agir em termos de consumo responsável. Afinal, mantido o consumo imitando os padrões americano e europeu e, se estendido a toda população mundial, os recursos naturais, em sua maioria, se extinguirão em menos de 50 anos.

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