Quem diria. Perdão pela baixa inflação!

Economia & Negócios

10 Janeiro 2018 | 09h59

Os números da inflação de 2017, 2,95%, hoje divulgados pelo IBGE, são uma dádiva já anunciada. A inflação ficou abaixo do limite de tolerância da meta (4,5%) em mais de 1,5 ponto porcentual, substancialmente abaixo dos 5% previstos pelos analistas econômicos em janeiro de 2017. Uma taxa inflacionária anual abaixo de 3%, similar à inglesa, não se verifica desde 1998, antes da introdução do regime de metas.

Com isto, o presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, pela primeira vez desde 1998, será obrigado a escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, justificando as razões para o ocorrido. Terá de detalhar as providências para que a inflação volte ao patamar fixado pelo Conselho Monetário Nacional, e o prazo em que isso ocorrerá. Isso se deve ao fato de que essa diferença será entendida como um erro de cálculo do Banco Central, que precisará demonstrar que não exagerou na dose dos juros, como alegam vários críticos da política monetária.

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A sustentação de tal argumento poderá mostrar que mais de dois terços da desaceleração inflacionária ocorrida em 2017 se explicam pela redução de quase 15 pontos de percentagem da taxa de variação dos preços dos alimentos, sobre os quais é pouco significativa a influência da política monetária.

Um subconjunto de preços mais sensíveis à ação do Banco Central é aquele formado pelos demais preços livres, que são serviços e bens de consumo, duráveis e não duráveis. No decorrer do ano passado, observou-se uma desaceleração sem precedentes desse subconjunto de preços, de pouco mais de três pontos percentuais, amplitude que certamente se pode classificar como o resultado mais importante na evolução de preços de 2017.

Diferentemente do que se passa com os alimentos, que podem facilmente mudar de velocidade e de sentido, os demais preços livres, especialmente os de serviços, movem-se mais lentamente e com previsibilidade, principalmente em um ambiente econômico caracterizado pela ociosidade de fatores de produção.

Isso significa que, em 2018, os preços livres, excluídos os alimentos, dificilmente apresentarão uma taxa de variação muito diversa da observada em 2017, exercendo assim um papel moderador da inevitável alta dos preços de alimentos, que sinalizam para leve aumento da taxa inflacionária.

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