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Polo e Virtus: cada um defende o seu quadrado

Cleide Silva

26 Junho 2017 | 19h48

 

SÃO PAULO – Numa festinha no último sábado para comemorar os 50 anos de uma escola municipal de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o vice-prefeito da cidade, Marcelo Lima (SD) deu uma notícia “bombástica” em sua apresentação.

Disse que representava o prefeito Orlando Morando (PSDB), que estava na Alemanha, onde teria conseguido um acordo com a direção mundial da Volkswagen para a produção de novos carros na fábrica local – “que vai trazer 9 mil empregos para a cidade”.

A significativa plateia de mães e pais que esperava ansiosa pela apresentação musical dos filhos sem prestar muita atenção nos falatórios (até porque o sistema de som era precário), aplaudiu provavelmente sem se dar conta da gafe do vice-prefeito.

Uma montadora criar 9 mil empregos seria manchete de toda a imprensa nacional. Hoje, a fábrica da Anchieta emprega cerca de 8 mil trabalhadores.

E o tal acordo que ele citou se refere à produção do novo Polo e do sedã Virtus, já anunciada pela montadora há um bom tempo e que, no máximo, vai garantir os empregos de quem já está na fábrica e olhe lá… A ociosidade na linha de montagem ainda é altíssima.

Prefeitura

Na quinta-feira, 22, o próprio prefeito publicou em sua conta no Facebook vídeo dizendo que, na reunião com executivos da matriz da Volkswagen, foi “consolidada” a notícia da produção do Polo, mas “a grande notícia que surpreendeu e alegrou a todos foi a confirmação da produção de um novo sedã, o Virtus”.

Morando, pelo jeito, fez papel de marido traído… Precisou ir até a Alemanha com uma comitiva para saber o que toda a imprensa automotiva já vinha divulgando desde março.

Volkswagen

No mesmo dia do vídeo, a VW divulgou nota confirmando a produção dos dois modelos, já que informação, apesar de divulgada pelo presidente da empresa, David Powels, a vários jornalistas, ainda não tinha sido tema de um comunicado oficial.

Com esses produtos, a marca sonha voltar à brigar pela liderança em vendas no Brasil. Antes disso, terá de estancar a importante queda que registra em suas vendas, acima da média do setor.

Na nota, o executivo afirma que a produção dos dois carros, inseridos em um plano de investimento de R$ 7 bilhões, foi fruto de negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que ocorreram nos últimos anos.

Sindicato

Segundo Wagner Santana, presidente do sindicato, “esse é o resultado do nosso trabalho sendo agora reconhecido e valorizado também pela Volks. Os companheiros são parte dessa luta, porque estavam na porta da fábrica em 2014, quando renegociamos o acordo e na greve, em 2015, quando a empresa demitiu 800 trabalhadores”.

O sindicalista disse também que no ano passado as partes voltaram a conversar porque a crise se agravou e, “mais uma vez, garantimos a produção desses dois novos veículos na unidade da Anchieta e os postos de trabalho”.

Não citou, contudo, que, para fechar o acordo, trabalhadores abriram mão de aumentos salariais, de parte da reposição da inflação, do PLR e volta e meia aceitam programas de demissão voluntária (PDV) porque a empresa opera com elevada ociosidade.