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Produção de carros cresce 15% e nível de emprego melhora lentamente

Cleide Silva

06 Março 2018 | 19h58

A produção de veículos no País cresceu 15% no primeiro bimestre na comparação com o ano passado, somando 431,6 mil unidades, o melhor resultado para o período nos últimos quatro anos. Só em fevereiro foram produzidos 213,5 mil veículos, 6,2% a mais que em igual mês de 2018.

A recuperação do setor, puxada pela alta de 19,5% nas vendas (338,2 mil unidades) e de 7,2% nas exportações (112,7 mil unidades) ajudou na abertura de 2,1 mil postos de trabalho nos dois primeiros meses do ano.

A indústria automobilística emprega atualmente 130,4 mil funcionários, dos quais 111,9 mil no segmento de veículos e 18,5 mil no de máquinas agrícolas. É o maior contingente em 17 meses. As montadoras também reduziram para 1,4 mil o total de trabalhadores com contratos suspensos (lay-off) ou inscritos no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), em que jornada e salários são reduzidos.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, diz que as vagas melhoram lentamente porque as empresas priorizam o retorno do pessoal afastado.

Segundo ele, contratações só estão ocorrendo em casos mais específicos, como reabertura de novos turnos de trabalho. Além disso, houve ganho de produtividade com modernização das linhas de produção.

“O nível de emprego só terá salto maior se o mercado crescer acima do previsto”, afirma Megale. Se a produção aumentar 11% em relação a 2017 e atingir 3 milhões de veículos, conforme prevê a Anfavea, a tendência é de alta de apenas 2,5% na mão de obra até o fim do ano.

Ele ressalta que, com esse volume de produção, as fábricas ainda vão operar com 39% de ociosidade, sendo que no segmento de caminhões o índice será de 71%.

Recorde. O volume de exportações no primeiro bimestre foi recorde para o período. Das 112,7 mil unidades, a Argentina ficou com 74%, o México com 7% e o Chile com 6%. O restante ficou com outros países da região.

Em valores, houve alta de 24,8% com as vendas externas, somando US$ 2,5 bilhões no primeiro bimestre, também o melhor resultado para o período.

A alta das vendas externas tem colocado as empresas em alerta pois, segundo Megale, há um estoque de “bilhões” em crédito de ICMS retidos pelos governos estaduais que ainda não foi devolvido às empresas.

Megale afirma também ver com preocupação a intenção do governo americano de sobretaxar a importação de aço, pois a medida protecionista pode desequilibrar o mercado mundial.