Francesa CNP perde preferência e terá de disputar balcão da Caixa em leilão

Francesa CNP perde preferência e terá de disputar balcão da Caixa em leilão

Coluna do Broadcast

13 Agosto 2017 | 05h00

A seguradora francesa CNP Assurances perdeu o direito de preferência pelos negócios que tiver interesse no balcão de seguros da Caixa Econômica Federal. Terá, assim, de disputar com o restante do mercado, de igual pra igual, em um processo concorrencial, que deve ocorrer ainda este ano, por cada ramo da seguradora do banco. A estruturação da disputa, que promete ser acirrada, visto que há poucas “noivas” para distribuição de seguros no Brasil, está nas mãos do Banco do Brasil e do Credit Suisse, assessores da Caixa na negociação.

Divórcio
A perda de preferência da CNP ocorre após a francesa não chegar em um consenso com o banco público, que quer rentabilizar melhor seu balcão de seguros, para renovar antecipadamente o acordo de exclusividade que se encerra em 2021. Ontem, a Caixa Seguridade informou ao mercado que o contrato acaba no dia 14 de fevereiro de 2021. Na disputa com as demais seguradoras, a CNP pode ficar com apenas alguns segmentos, mas não o habitacional, tido como a joia da coroa, uma vez que o banco tem 68% do crédito imobiliário no País. A vantagem dos franceses é conhecer muito bem a operação e, portanto, poderem precificá-la melhor do que seus concorrentes. Se não levar nada, além de se divorciar da Caixa, a CNP pode deixar o País.

Ampulheta
E não para por aí. A decisão da Caixa Seguridade de encerrar o contrato com a CNP, em 2021, reforça as dúvidas do mercado quanto à corretora de seguros Wiz. Tecnicamente, mesmo com a previsão do término do acordo, a empresa seguirá recebendo as receitas das apólices originadas até fevereiro de 2021, prazo que pode se estender até 2056, uma vez que os contratos de crédito imobiliário, nos quais o seguro habitacional é obrigatório, podem chegar a 35 anos.

Órfã
Uma opção é a Caixa plugar a Wiz nos acordos com as novas seguradoras. Joga contra, entretanto, sua estrutura acionária. No contexto atual, o banco público fica apenas com 12,5% da receita com a venda de seguros. Isso porque a Caixa Seguros, que é a joint venture da CNP, com 52%, e da Caixa, com 48%, detém 25% da Wiz, sendo que o restante está pulverizado no mercado e nas mãos da Federação dos Funcionários da Caixa (Fenae), com 26%. Procurados, o banco, a Caixa Seguros e a Wiz não comentaram. A CNP, em nota à imprensa, informou que foi notificada pela Caixa e continuará a cuidar dos seus interesses e direitos e da Caixa Seguros.


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