Mercado financeiro revisa discurso de retomada

Coluna do Broad

19 Maio 2017 | 05h00

Gestores de investimentos consideram que o presidente Michel Temer, ao não renunciar, está ganhando tempo para articular um próximo passo, e consideram que não há mais um bom cenário no campo político. Com a sensação de que a reforma da previdência e a retomada da economia estão seriamente ameaçadas, o mercado financeiro deixa para trás o discurso de que tudo ia dar certo, mesmo com um projeto de previdência minguado.

Desembarque
A ameaça de desembarque de ministros, se extrapolar para áreas ligadas à economia, torna ainda mais frágil o processo de recuperação econômica do País. Nesse ponto, os olhos estão no ministro Fernando Coelho Filho, de Minas e Energia, cujo partido, o PSB, pediu renúncia por ligações com Temer. O setor, que mais tem movimentado o mercado de renda fixa corporativa, de fusões e aquisições e atraído investidores estratégicos, pode ter sua importante reforma regulatória atrasada.

Paralisia

Profissionais à frente de operações de captação de recursos e compra e venda de empresas veem as operações em compasso de espera. Tudo foi colocado de molho até a poeira baixar. É esperada ainda uma onda de reprecificação de ativos. A desvalorização do real pode atrair mais os gringos desde que a instabilidade não vença essa batalha.

Mal precificado
Gestores dizem ainda que a reação do mercado de câmbio e a percepção do investidor estrangeiro, com base no preço dos títulos emitidos por empresas e pelo governo no exterior ainda não revelam totalmente a crise. O título de dívida da Petrobras com vencimento em 10 anos negociado no exterior caiu para um patamar de preço em que estava há dois meses, o que, para alguns, sinaliza mais correção em baixa dos preços dos ativos.

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