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Ano começa apenas agora para o mercado brasileiro, pós-Petrobrás

Operações foram destravadas com a publicação do balanço da estatal e empresas buscam captações, mas investidor deve seguir rigoroso

danielamilanese

14 Maio 2015 | 13h12

O ano de 2015 está começando somente agora para o mercado de capitais brasileiro. Até então, a falta do balanço auditado da Petrobrás, que poderia desencadear um default da maior dívida corporativa do mundo, impedia completamente qualquer possibilidade de emissão de ativos nacionais.

Resolvido o impasse, as operações foram destravadas e as empresas passam a colocar em prática planos de captação. Os investidores voltam a olhar para o País, mas ainda devem usar um crivo mais severo, diante dos desafios macroeconômicos e dos riscos trazidos pelas investigações da Operação Lava Jato, conforme gestores estrangeiros ouvidos por este blog.

“Há um ou dois meses, a situação parecia bastante binária, sendo que o sentimento negativo poderia cair numa espiral fora de controle ou então perder potência”, afirmou Richard Segal, gestor de renda fixa da Jefferies International Limited. “Vimos a segunda possibilidade ocorrer e os investidores estão voltando.”

Na avaliação de Adrian Landgrebe, gestor da britânica Sagil Capital, a publicação do balanço da Petrobrás removeu um dos maiores riscos do País. No entanto, os investidores estão cientes de que os próximos meses serão desafiadores. Além disso, acredita, há preocupação crescente de que os ativos começam a parecer caros depois do rali recente. “Para as operações certas e preços certos, acredito que haverá interesse novamente nas ações e títulos brasileiros, mas o mercado estará muito mais focado na qualidade em meio ao atual ambiente.”

Edwin Gutierrez, gestor para o Brasil da Aberdeen Asset Managers, em Londres, acredita que os investidores estão voltando lentamente, uma vez eliminada a possibilidade de default da Petrobrás. “Entretanto, agora precisamos ver melhora nos resultados fiscais a cada mês.”

Para aliviar a percepção externa, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem participado de diversos encontros fora do País. No mês passado, foi aos Estados Unidos para a reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, e buscou transmitir confiança não apenas aos membros do fundo como também aos diversos investidores com quem se encontrou – em especial da área de infraestrutura, já que ele aproveitou a viagem para anunciar um novo programa de concessões.

Nesta semana passou por Londres, também com agenda bastante carregada. Levy reafirmou seu discurso de ajuste fiscal e apontou que, além do balanço da Petrobrás, o Brasil superou o risco de rebaixamento do rating soberano e da falta de fornecimento de energia, os três problemas que atemorizavam o País no início do ano.

Fontes que estiveram presentes aos eventos de Levy na capital britânica afirmaram que a mensagem do ministro foi bem recebida pelos locais.

Diante desse cenário menos tenso, a Votorantim Cimento abriu o mercado de capitais brasileiro, na semana passada, ao colocar 500 milhões de euros em títulos no exterior. Agora, a própria Petrobrás pretende lançar pelo menos R$ 3 bilhões em debêntures no mercado local, conforme apurou a repórter Cynthia Decloedt, do Broadcast.

Também já aparece a primeira tentativa de IPO do ano: a Par Corretora, da Caixa Econômica Federal, quer levantar até R$ 567 milhões com a venda de ações em junho. Se a instituição conseguir abrir o capital, será a primeira operação do tipo desde outubro do ano passado, quando a Ourofino estreou em meio à turbulência entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial.

As duas operações, aliás, têm algo em comum que demonstram o ambiente ainda incerto: a existência de um investidor pré-determinado para dar certa blindagem. No caso da Ourofino, do setor veterinário, o private equity General Atlantic se comprometeu a comprar R$ 200 milhões em ações. Na Par Corretora, caso a emissão saia, a gestora Gávea Investimentos levará R$ 140 milhões.

Um próximo passo muito mais relevante seria o IPO da Caixa Seguros, já anunciado pelo ministro Levy. Tendo em vista que a Caixa Econômica Federal está envolvida nas denúncias Lava Jato, pode-se considerar que esse, sim, seria um verdadeiro teste para o mercado brasileiro.

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