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Fim do boom das commodities traz mundo novo para emergentes

Desaceleração da China e patamar mais baixo dos preços das matérias-primas são cenários vistos como definitivos no exterior

danielamilanese

23 Abril 2015 | 23h33

O boom da China e das commodities chegou ao fim e os países emergentes precisam encarar esse novo cenário considerado definitivo. No exterior, prevalece a percepção de que a máquina que puxava o crescimento global avançará a passos mais lentos, muito provavelmente abaixo dos 7% esperados pelo governo chinês neste ano. Como resultado, os preços das matérias-primas permanecerão mais baixos.

A situação foi colocada de forma clara inclusive pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Estamos vivendo num mundo novo e por isso é tão importante a reengenharia que estamos fazendo na economia brasileira”, afirmou o ministro, durante evento em Nova York nesta semana, após participar da reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional.

Outras autoridades financeiras também veem o esgotamento do processo de forma irreversível. Os presidentes dos bancos centrais do Chile, Rodrigo Vergara, e do Canadá, Stephen Poloz, admitem o final do chamado super ciclo. Como o Brasil, os dois países são diretamente afetados pelo novo momento e enfrentam choques, em razão da dependência do cobre e do petróleo, respectivamente.

“A resposta da oferta foi ficando cada vez mais rápida e, sim, já vimos a maior parte do ciclo”, afirmou Poloz, durante evento em Nova York. “Nosso maior risco vem da China, nosso principal parceiro e maior consumidor de cobre do mundo”, disse Vergara.

Durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, a queda nas commodities foi bastante apontada como fator problemático para as nações em desenvolvimento e se tornou um dos principais pontos de debates. Há certo consenso de que o mergulho dos preços das matérias-primas foi muito mais rápido que o previsto, com uma força e concentrada em poucos meses.

Para o Banco Mundial, as mudanças enfrentar pela América Latina, em razão da desaceleração da China, são permanentes. A região deverá se adaptar a uma “nova normalidade ” de crescimento econômico mais baixo, limitado a 0,8% neste ano, prevê o órgão.

Se por um lado o colapso do petróleo pode estimular a economia global, por outro significa problemas relevantes para os produtores. Esse é um dos motivos que faz o fundo apontar que a maior parte dos riscos para a estabilidade financeira agora está concentrada nos emergentes, e não mais nos desenvolvidos.

Uma dúvida é saber como os países conseguirão atravessar o novo período. O Brasil transmitiu, em Washington, sua mensagem para atrair investidores estrangeiros, como fundos de pensão, ao programa de concessão de infraestrutura, a ser lançado em maio. No Canadá, as empresas produtoras buscam cortar custos, para aumentar a eficiência e conseguir lidar no novo ambiente.

O Banco Mundial e o FMI apontam, como sempre, a necessidade de reformas. “O forte crescimento dos anos 2000 não deve revisitar a América Latina, a não ser que sejam adotadas vigorosas reformas pró-crescimento”, afirma o Banco Mundial.

Nesse cenário, os olhares se voltam para a estratégia que virá das duas principais economias do mundo. A China já reduziu compulsório no último final de semana e acredita-se que poderá vir com novas medidas de estímulo para, ao menos, cumprir a meta de crescimento de 7%, enquanto ajusta seu modelo econômico.

Em meio à forte queda da inflação global, também fica a dúvida sobre quando o Federal Reserve passará a efetivamente apertar sua política monetária. Entre especialistas no exterior, não há dúvida de que esse será mais um momento de volatilidade para os emergentes.