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Fundos estrangeiros indicam novos conselheiros independentes para Petrobrás

Depois da desistência de Mauro Cunha, agora José Guimarães Monforte também decidiu não apresentar seu nome para um novo mandato

danielamilanese

08 Abril 2015 | 12h08

Fundos de investimento se organizaram mais uma vez para indicar novos nomes independentes ao conselho de administração da Petrobrás. Depois da desistência de Mauro Cunha, agora José Guimarães Monforte também decidiu não apresentar seu nome para um novo mandato. Representantes dos minoritários no conselho, os dois adotaram posições contrárias ao governo federal e mostram descontentamento com os rumos da empresa.

Os novos indicados são Walter Mendes de Oliveira Filho, como representante dos detentores de ações ordinárias no lugar de Cunha, e Guilherme Affonso Ferreira, na vaga dos preferencialistas no lugar de Monforte.

Os nomes foram sugeridos por um grupo de fundos estrangeiros que administram bilhões pelo mundo, liderados pelo holandês Robeco e os britânicos F&C e Hermes.

A votação para as vagas dos minoritários, que ocorrerá na assembleia marcada para 29 de abril, deve ser feita sem a participação do governo federal, conforme prevê a legislação. Em anos anteriores, os minoritários não conseguiam entrar para o conselho porque fundos de pensão – Petros, Funcef e Previ – e o BNDES votavam em nomes indicados pelo controlador.

Atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entretanto, encerrou essa prática. A autarquia chegou a punir as fundações por votos considerados irregulares. Investidores alegam que os fundos de pensão são patrocinados por estatais controladas pelo governo, daí a existência do conflito.

Monforte havia sido eleito no ano passado, também num movimento liderado por fundos estrangeiros, para o lugar de Jorge Gerdau, que ocupava o posto há anos. Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), ficou dois anos no cargo e decidiu não disputar novo mandato, após diversos embates na companhia.

Guilherme Affonso Ferreira é um dos investidores mais atuantes do País. Dono da Bahema Participações, é acionista e está presente no conselho de diversas companhias, como SulAmérica e Pão de Açúcar.

O economista Walter Mendes tem longa atuação como gestor de recursos e passagens Itaú e Schroder, entre outros. Também presidiu a Amec entre 2009 e 2001.

Nos bastidores, os conselheiros independentes mostram desconforto sobre a condução da Petrobrás, envolvida nos escândalos de corrupção vindos com a Operação Lava Jato. Eles são contrários, por exemplo, aos nomes que assumiram o comando da estatal.

Votaram contra a indicação de Aldemir Bendine para a presidência da empresa e não receberam bem a definição do presidente da Vale, Murilo Ferreira, para a liderança do conselho de administração. Segundo fontes próximas, a avaliação dos independentes é de que há falta de perspectiva de mudanças mais efetivas na condução da Petrobrás. Embora Ferreira seja um nome reconhecido pelo mercado, também existem dúvidas sobre a capacidade de tocar, ao mesmo tempo, duas empresas que atravessam desafios, já que a Vale enfrenta o momento de queda no preço do minério de ferro.

Bastante pressionada, a Petrobrás corre contra o tempo para entregar seu balanço auditado até o final deste mês. A próxima reunião do conselho está marcada para o dia 17 de abril.

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