Conexão: a internet como uma oportunidade para a educação

Conexão: a internet como uma oportunidade para a educação

Amcham Brasil

08 Agosto 2017 | 17h58

Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um direito humano, o acesso à internet aumentou de forma expressiva na última década. No entanto, o relatório da União Internacional de Telecomunicação (UIT), divulgado em julho do ano passado, levantou que 3,7 bilhões de pessoas ainda estão desconectadas. A penetração da tecnologia nos países desenvolvidos é alta (81%), enquanto não chega a 15% nos países mais pobres, algo que preocupa a organização.

No caso do Brasil, um pouco mais da metade da população tinha acesso à rede em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A ascensão econômica das classes mais baixas na última década popularizou principalmente o uso de smartphones. Agora que o país enfrenta uma grave crise econômica, a demanda por serviços mais baratos e de melhor qualidade aumentou para o setor de telefonia.

Como uma forma de beneficiar o meio-ambiente, a empresa e o consumidor, algumas empresas compartilham a infraestrutura. Um case de sucesso é a da Oi e da TIM. As operadoras fizeram um projeto iniciado em 2012 para ofertar o serviço banda larga em 4G através do RAN Sharing. A prática, cada vez mais disseminada, envolve o compartilhamento de um único equipamento de transmissão (BTS) por mais de uma operadora, além da estação com torre, sistemas, parte eletrônica do site e o espectro. As empresas fizeram investimentos em cidades distintas para, posteriormente, compartilharem esses elementos da rede. Segundo a assessoria da Oi, “o compartilhamento permite uma otimização de recursos comuns entre as operadoras e reduz o impacto no meio ambiente e no mobiliário urbano, atendendo ao desejo da sociedade e do governo”. O case, reconhecido internacionalmente como de sucesso, cobre hoje 109 municípios brasileiros e beneficia 82 milhões de consumidores. As duas organizações já concorreram ao Prêmio Eco da Amcham.

Os ganhos da iniciativa são o aumento da cobertura, com um número maior de municípios atendidos de forma mais rápida, com menores impactos ambientais. “Com a necessidade de menos de torres de telefonia, há redução no consumo de energia e a poluição visual, sem comprometer a qualidade dos serviços oferecidos ao usuário”, pontua a assessoria da empresa. A economia de recursos para a organização permite a realocação dos mesmos para outros projetos e investimentos na melhoria de serviços.


Conexão e desenvolvimento social

E como a internet se relaciona com a sustentabilidade? Para além das questões econômicas – apenas em 2016, por exemplo, o e-commerce faturou R$ 44 bi no Brasil -, a rede é vista também como uma ferramenta para o desenvolvimento da educação e da capacitação. Um estudo da Delloite sobre o valor da conectividade indica que esse acesso significa muito, principalmente em regiões em que faltam recursos e materiais didáticos como livros. A estimativa da organização é que, se os países em desenvolvimento alcançassem o nível de acesso dos desenvolvidos, 640 milhões de crianças poderiam usar a internet e sua riqueza de informações. Todo esse acervo não está confinado por limitações geográficas, pode ser utilizado simultaneamente por várias pessoas e oferece uma infinidade de visões que fogem ao modelo de ensino tradicional.

No Brasil, sites gratuitos voltados a educação já são amplamente acessados: estimativas do aprenda.online, plataforma criada pela Fundação Lemann e que reúne portais focados no ensino, apontam que mais de 10 milhões de pessoas no país já acessaram esse tipo de conteúdo. O acesso à rede como uma ferramenta que possibilita mais formas de ensino é inclusive reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). Desde 2008, o Governo Federal tem o Programa Banda Larga nas Escolas. As operadoras autorizadas instalam a infraestrutura de rede para suporte de conexão em alta velocidade e mantém o serviço sem ônus até o ano de 2025 em escolas públicas. A Oi participou do programa e, desde então, atende 52 mil escolas públicas, conectando 30 milhões de jovens, segundo dados da assessoria.

A relação entre conhecimento da tecnologia e melhoria no aprendizado é algo nítido para Americo Mattar, diretor presidente da Fundação Telefônica. A organização, desde 2013, atua em projetos que relacionam o acesso e uso da internet em escolas públicas, buscando novas metodologias de ensino. “Aprendemos com essas escolas que sim, a tecnologia potencializa aprendizagem, leva o aluno a outro patamar, tanto em competências cognitivas quanto em soft skills – competências como empatia, resolução de problemas e protagonismo. Usando a tecnologia como plataforma, conseguimos criar um modelo personalizado de educação, em que o aluno atua em temas de seu interesse”, compartilha Mattar.

O Projeto Inova Escola funciona em sete escolas públicas em diferentes estados do país, sendo duas rurais, que já tinham um perfil inovador. A Fundação levou equipamentos, como computadores e tablets, uma plataforma educacional que conectava estudantes e professores e levou cursos de formação aos professores, para que eles pudessem extrair o máximo do potencial tecnológico para que se traduzisse em aprendizado. De forma direta, foram 2300 estudantes impactados, 185 professores formados e mais de mil equipamentos distribuídos nos locais.

Neste ano, a Fundação está com um novo projeto: Profuturo Aula Digital. A iniciativa surgiu como uma tentativa de levar educação para lugares de grande vulnerabilidade no continente africano. Adaptada para o Brasil, o objetivo é trazer tecnologias e conteúdos pedagógicos para duas localidades: Manaus e Sergipe. Serão doados tablets, notebooks e roteadores para as escolas, além do pacote de formação de professores para a tecnologia. Ao todo, pretende-se atingir quase 50 mil estudantes da rede pública.

Investir nesses novos modelos de educação, para Mattar, vai além da preparação desses jovens e crianças para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente em questões digitais. “Temos pouco tempo de projeto, mas acho que estamos formando jovens muito mais capacitados, não só do ponto de vista cognitivo. São mais críticos com seu entorno, questionam mais os modelos existentes, são pessoas mais habilitadas ao mundo de incertezas em que vivemos”, exemplifica.

A ideia é reunir tudo que a Fundação aprendeu com a experiência e levar ao público, para que qualquer escola consiga realizar essas práticas e metodologias. Foi desse propósito que surgiu a publicação Inova Escola.“A gente cria modelos e referenciais oferecer ao poder público um instrumento que possa modernizar a prática pedagógica, para transformar isso em influência e em política pública”, explica Mattar.

Para saber mais sobre iniciativas pedagógicas diversas

Em uma série de documentários, a Fundação Telefônica Vivo e o canal Futura rodaram o país buscando escolas com iniciativas inovadoras voltadas para a educação e que vão além da questão do digital. Os episódios estão disponíveis aqui.