A importância do cofre de vidro na vida do seu filho pequeno

A importância do cofre de vidro na vida do seu filho pequeno

Alexandre Cabral

16 Março 2017 | 13h09

Neste texto, vamos conversar sobre a importância de ensinar a poupar desde muito novo. Vou contar a história das minhas filhas como exemplo.

Sem título

Tenho gêmeas que hoje estão com 4 anos e 5 meses e começam a entender a importância do dinheiro. O primeiro passo foi explicar a elas que somente com dinheiro se compram as coisas e que, para conseguir esse dinheiro, é preciso trabalhar.

Essas eram as informações que elas tinham, até que, no último domingo, minha esposa e eu chamamos as duas para conversar e explicamos que nem tudo que desejamos na vida conseguimos comprar de forma imediata. Dissemos a elas que precisamos, todo dia, guardar um pouquinho (elas ainda não têm muita noção de tempo, daí o termo “todo dia”) e que é com essa economia que compramos. E então o que resolvemos fazer? Criar um local onde elas, junto conosco, vão guardar dinheiro. Em uma espécie de releitura do bom e velho cofre, separamos dois potes de vidro, um para cada uma.

Decidimos guardar moedas dentro deles. No primeiro dia, depositamos R$ 1,00 para cada uma e dissemos que só poderão tirar o dinheiro do pote/cofre quando o Papai Noel chegar. Ensinamos que guardar leva tempo e que é importante respeitar esse tempo.  Para facilitar a compreensão, demos alguns exemplos a elas. “Vocês lembram que, na semana passada, nós fomos passear no Parque Ibirapuera? Nós só conseguimos ir porque guardamos dinheiro para isso. Quando recebemos o dinheiro pago pelo nosso trabalho, nós não gastamos tudo. Nós poupamos. E aí, quando a gente resolve comprar alguma coisa ou fazer algum passeio, a gente vai lá e usa um pouquinho dessa poupança. Guardar dinheiro é importante e vocês também devem guardar o de vocês”.

Para estimular ainda mais, perguntamos a elas o que gostariam de comprar. A mais velha disse que quer comprar uma maçã e a mais nova, uma gelatina. Fizemos festa pela decisão delas –  uma forma de incentivar as escolhas. Detalhe: as duas são magras.

Dois dias depois, depositamos mais uma moeda para cada uma. E assim pretendemos fazer até dezembro.

Vocês vão me perguntar: “por que um cofre de vidro?”. Quem tem filho pequeno sabe que as crianças são visuais demais. Para elas, é fundamental, no decorrer dos dias,  ver a quantidade de moedas crescer dentro do pote. Isso incentiva a querer poupar cada vez mais. Na minha casa, os cofres ficam ao alcance da visão das meninas, mas elas não conseguem pegar. Já vi as duas conversarem sobre os cofres, uma dizendo para a outra que vai guardar dinheiro para comprar coisas com Papai Noel. Esse estímulo visual é importante demais!

Detalhe: nada impede que o cofre seja uma vasilha de acrílico ou de plástico, por exemplo. O importante é que seja transparente o suficiente para permitir que a criança veja o conteúdo do pote crescer. Também é essencial incentivar essa poupança. A cada 4 ou 5 depósitos, mostre à criança que está orgulhoso, dê os parabéns, diga que já está com muitas moedas, reforce o que ela deseja comprar e lembre a ela que, guardando dinheiro, está cada vez mais perto do objetivo. Garanto que receberá de volta um sorriso, além de transmitir a ela a compreensão de que poupar é motivo de felicidade e não obrigatoriamente um sacrifício.

Mas e a inflação? O dinheiro “parado” no pote não vai perder o poder de compra ao longo do tempo?

O estímulo visual do acúmulo de dinheiro no pote cobre quaisquer juros do período. Estamos falando de valores muito baixos e de uma poupança que tem fim educativo. Não se trata daquele dinheiro que você vai poupar pensando no futuro do seu filho. Esse, sim, precisa ser muito bem aplicado. O dinheiro no pote, vocês estão guardando juntos, com a finalidade de que a criança veja o aumento da quantidade dia a dia e ganhe as primeiras noções sobre a importância de poupar. E outra: no pior dos mundos, vocês vão perder 10% ao ano, mas terão o enorme ganho de ver seus filhos conscientes.

Lembre do cofre no dia a dia fora de casa

Vocês foram juntos fazer algum passeio e as crianças ficaram pedindo as coisas. Não é feio dizer que não tem dinheiro ou que até tem, mas que, se gastar agora, não poderá economizar para guardar no cofre. E aí como vai ficar o plano dela de comprar alguma coisa? Ou como vão poder realizar algum desejo da família? Um exemplo que sempre uso: “vocês não querem ir para a casa do vovô e da vovó no Rio? Papai e mamãe precisam juntar moedas para esse passeio. Vamos guardar juntos?”. Garanto que boa parte das repostas vai ser “sim”.

Banco Central e Casa da Moeda vão ficar loucos comigo

Poxa, dupla, eu sei que estou incentivando a retirada de moeda de circulação, mas o volume não é grande o suficiente para atrapalhar o troco no Brasil.

Conclusão

Dei esse exemplo bem simples com um único objetivo: vamos ensinar a nossos filhos, desde pequenos, a noção de poupança. Vai ser importante demais para o futuro deles. Só tomem cuidado para que não vire uma obsessão. Explique a eles que o importante é o equilíbrio entre gastar e guardar.

Se seu filho é mais velho que as minhas e já consegue ler, você já pode começar a falar de investimentos bancários e juros. Mas isso fica para um outro texto.

Eu tenho que agradecer demais aos meus pais por terem me ensinado a noção de poupar. Eu também tinha um exemplo fácil dentro de casa: meu pai trabalhou em banco durante vários anos da vida dele.

 

 

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