Mercado financeiro comemora a condenação de Lula

Mercado financeiro comemora a condenação de Lula

Quais os motivos para a euforia do Mercado Financeiro após ser divulgada a sentença de condenação do ex presidente Lula.

Alexandre Cabral

13 Julho 2017 | 09h18

Após a divulgação da sentença, o real valorizou 0,60% e a bolsa subiu 1,49%.

Ales Silva / Estadão

O mercado já estava em um dia bom, com valorização do real e alta da bolsa, mas se animou com a notícia da condenação do Lula. A grande pergunta é: por que essa comemoração aconteceu? Vamos às respostas:

a. A condenação de Lula abalou bem a possibilidade de eleição do petista à Presidência da República em 2018. O que isso tem de bom, aos olhos do mercado? Lula tem demostrado ser contra as reformas trabalhista e da Previdência. Elas são necessárias. Na área trabalhista, temos regras que vigoram desde Getúlio Vargas, precisamos modernizá-las. A da Previdência é mais urgente ainda, para tentar conter o rombo enorme nas contas públicas. É pena que, quando o assunto é mexer nas aposentadorias e pensões, qualquer governo passa a mão na cabeça dos militares, políticos e funcionários públicos, excluindo-os das mudanças. Aí sobra quase tudo para a iniciativa privada.

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b. Os deputados e senadores do PT também não apoiam as reformas. Na sessão de terça-feira (11/07), todos os senadores do partido votaram contra a reforma trabalhista. Todos! O curioso é que não apresentam nenhuma proposta convincente para contrapor as que estão sendo votadas. Só bater é fácil, né?

c. Vocês se lembram da proposta de limitar o aumento dos gastos do governo à inflação do ano anterior? O PT foi totalmente contra. Infelizmente ela é necessária. Temos que controlar os gastos governamentais. Não podemos ficar, por anos e anos, gastando muito mais do que arrecadamos. Há um custo de juros muito alto nesse financiamento.

d. O governo do PT tem fama de gastador. É só olhar os números. Quando a economia ia bem, os rombos estavam sendo mascarados. Quando a economia começou a decair, os números ruins apareceram e agora estamos com um déficit de bilhões de reais nas contas públicas. Boa parte desse saldo negativo foi gerado por medidas do governo Lula. O mercado tem medo de que, com a volta dele, os gastos disparem. Antes de qualquer crítica, quero deixar claro que eu apoio medidas assistenciais como Bolsa Família, mas questiono os critérios de escolha dos beneficiários e a maneira como são feitos o acompanhamento e a fiscalização desses programas. Será que não temos um desvio grande nesse setor?

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e. As estatais nos governos Lula/Dilma sofreram bastante. Vejam alguns exemplos:

– A Petrobras tinha seus preços de combustíveis alterados de acordo com decisões do governo federal e não com a planilha de custos da empresa. Isso, sem falar em todo o uso político da estatal. Acredita-se que a conclusão das investigações da Lava Jato vai revelar um rombo de mais de R$ 40 bilhões nas contas da Petrobras.

– O BNDES doava – ops, emprestava – dinheiro para várias empresas e países, com baixíssimas exigências de garantia. Sem contar que virou palanque político de empréstimo subsidiado. Expliquem para mim que sentido que faz emprestar recursos para Angola ou Cuba.

– Vocês lembram de um dia, em 2013, em que a Dilma acordou inspirada e reduziu a tarifação do setor de energia? Fez isso para controlar a inflação e não estourar a meta do ano. Meses depois, teve que reverter o corte e até aumentar os preços, porque as empresas do setor não estavam mais aguentando os prejuízos. As cotações das ações de várias companhias de energia elétrica caíram e, com isso, os investidores ficaram receosos em aplicar em um setor vital para qualquer economia.

Citei apenas algumas empresas, para exemplificar. O mercado tem medo de que, com a volta de Lula, práticas como essas voltem a acontecer.

 

f. O mercado também teme que, no poder, Lula tente impedir o andamento de qualquer investigação de seus aliados.

 

g. O temor dos bancos em, ao visitar os clientes mundo afora, ter que apresentar um presidente que foi condenado a 9 anos e meio de prisão. Chance considerável de os investidores ficarem receosos.

 

Conclusão

Esse foi um breve resumo dos motivos que levaram à euforia no mercado financeiro diante da condenação do Lula. Existe um temor muito grande no mercado de que um eventual retorno de Lula à Presidência da República em 2018 leve a intervenções políticas em várias estatais e ao abandono das reformas necessárias, como a da Previdência. Na visão do mercado, a condenação agora enfraquece as chances de eleição de Lula no ano que vem.

Mas o PT morreu? Eu particularmente acredito que não. O peso vai diminuir bastante, mas o partido ainda vai ter muita representatividade no Congresso.

 

Fica aqui um convite

Na próxima semana, vou participar de uma mesa redonda sobre “Mídia e a Economia: Impactos da Des(informação)”, na Semana Eneco (Encontro Nacional do Estudantes de Economia), em Goiânia. O debate será no dia 17 de julho, às 10h.

Há mais palestrantes confirmados, que vão participar ao longo da semana. Entre eles: Angelo Nieves, Diego Bonfim, Ciro Gomes, Otaviano Canuto e Fernando Haddad.

Espero vocês lá para conversarmos sobre o blog que é escrito por um economista. Link do evento: www.eneco2017.com.br

Obrigado, Cassio Souza pelo convite.

 

Agradecimento

Quero agradecer a vocês, leitores, que, no primeiro semestre deste ano, compartilharam artigos deste blog mais de 72 mil vezes. Muito obrigado.

Para a elaboração desse texto quero agradecer a Jéssica Alves e Anna Carolina Papp.

 

Edição: Patrícia Monken

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