Mulheres: vamos conhecer 3 opções de investimento no Tesouro Direto (Texto 2)

Mulheres: vamos conhecer 3 opções de investimento no Tesouro Direto (Texto 2)

Alexandre Cabral

10 Abril 2017 | 07h26

Na semana passada, eu comecei a explicar o que é o Tesouro Direto. Falei de conceitos básicos como: aplicação mínima, instituições financeiras que oferecem o produto, horário de negociação etc. Meu objetivo agora é explicar como funcionam três títulos do Tesouro Direto: Prefixado, Selic e Prefixado com Juros Semestrais. Todos eles são papeis emitidos pelo governo federal, para captar recursos. O que vai variar são as condições sob as quais o investimento será remunerado. Vamos então conhecer quais são essas diferenças.

Capa

Tesouro Prefixado – antiga LTN

Neste título, a investidora já sabe quanto vai receber no dia do vencimento. “Como assim?”. É que a taxa de remuneração já é definida na largada. Por isso, no momento em que eu compro o título e aplico o meu dinheiro, eu já sei quanto eu vou ganhar quando resgatar. Vamos a um exemplo prático:

– Quem aplicar hoje R$ 1.000,00 em um título do Tesouro Prefixado com vencimento em 01/01/2020 vai receber remuneração de 9,70% ao ano. Usando a calculadora do Tesouro Direto (ferramenta disponível no site do Tesouro) e considerando taxa de administração de 0%, veremos que essa pessoa vai receber, no vencimento, algo próximo de R$ 1.234,89. Portanto, terá um rendimento líquido de 8,08% ao ano.

Hoje o Tesouro oferece duas datas de vencimento diferentes para esse tipo de título: 01/01/2020 e 01/01/2023.

Qual a vantagem de aplicar no Tesouro Prefixado? Justamente o fato de você já saber, desde o início do investimento, quanto, aproximadamente, vai receber no final. Por que “aproximadamente”? É que a BM&F Bovespa cobra uma taxa de custódia do papel e essa taxa pode levar a uma pequena distorção do valor a ser resgatado. Mas é bem pequena mesmo.

Você pode questionar: “quando entrei no site do Tesouro, para conhecer um pouco mais sobre o título Prefixado, vi que o Preço Unitário do papel com vencimento em 01/01/2020 está em R$ 777,79. O que é isso?”. É que o governo, para facilitar a vida dele, estabeleceu o seguinte: no dia do vencimento, cada título do Tesouro Prefixado sempre valerá R$ 1.000,00. Sempre! Consequentemente, na data da compra, o papel sempre estará cotado a menos de R$ 1.000,00 – para garantir que haja ganho no momento do resgate. Esse valor na data de aquisição é o tal do Preço Unitário do título e ele vai variar conforme as condições do mercado. Então, na hora de comprar, é esse valor que precisamos observar, para que fique clara a remuneração que teremos quando chegar o momento do resgate.

Considerando o exemplo do Tesouro Prefixado com vencimento em 01/01/2020, a conta é: R$ 1.000,00 / 1,0970684/252 – onde, explicando de uma maneira bem simplificada, R$ 1.000,00 são o valor do título no vencimento (repetindo: sempre vai ser esse valor); 1,0970 representa o fator da taxa de juros de 9,70% ao ano sobre o montante investido; 684 são os dias em que o dinheiro ficará aplicado até o vencimento; e 252, a quantidade de dias úteis existentes em um ano (isso é padrão).  Aqui no meu exemplo, a conta vai dar R$ 777,79. Ou seja, na data de compra, o título custava R$ 777,79. A partir daí,  o valor vai subindo, até chegar aos R$ 1.000,00, na data de vencimento.

Estou vendo aqui no site do Tesouro Direto que a compra mínima para esse titulo é de R$ 31,11. Como o Tesouro chegou a esse valor? A regra diz o seguinte: a quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 do título – ou seja, 1% do valor de um título -, desde que seja respeitado o montante mínimo de investimento de R$ 30,00. No nosso exemplo, 1% do preço do título vai dar 0,01 x R$ 777,79 = R$ 7,77. Opa! Está abaixo dos R$ 30,00 exigidos como investimento mínimo, não pode. Para chegar lá, teremos então que comprar mais frações de 0,01. Nesse caso, mais 3, adquirindo 4% do valor do título, já que 0,04 x R$ 777,79 = R$ 31,11 (ultrapassamos assim os 30 reais exigidos). Portanto, não é preciso comprar um título inteiro. Podemos adquirir frações dele, desde que, com base no Preço Unitário do dia da compra, o montante investido seja de, no mínimo, R$ 30,00.

“Até agora só vi vantagem. Não tem nenhum aspecto negativo?”. Sim, tem dois.

– Um deles é a chamada “marcação a mercado”. “Meu Deus! O que é isso?”. Diariamente o governo atualiza a tabela de negociação do título, com base nas condições do mercado. Com isso, a taxa de remuneração pode mudar – e, na prática, acaba mudando mesmo. Às vezes, a mudança é grande e, às vezes, pequena. Dependendo da mudança, podemos perder dinheiro, se vendermos o título antes do vencimento.

Olhem o exemplo ilustrado pelo gráfico a seguir: a investidora comprou o título no dia 03/08/2015, com vencimento em 02/01/2017, pagando, na época, R$ 837,13. Acompanhou diariamente o seu extrato e, como manteve o papel até o vencimento, não se apavorou. Por que? Porque sabia que, no último dia, iria receber os R$ 1.000,00 por título prometidos pelo governo. Mas, se tivesse saído no meio do caminho, poderia ter tomado um susto. “Como assim?”. Explico. Analisando o comportamento do papel ao longo do tempo investido, observamos que, no dia 29/09/2015, estava valendo R$ 828,43 – menos, portanto, que o montante investido no momento da compra. Assim, se tivesse vendido o título naquele dia, teria perdido dinheiro (837,13 – 828,43 = -R$ 8,70).

Gráfico

E por que essa desvalorização do título aconteceu? Especificamente nesse caso, a explicação é que, em setembro de 2015, o dólar foi negociado a R$ 4,25. Na época, ainda não se tinha certeza de que aconteceria o impeachment da Dilma e o mercado financeiro estava bem estressado. Naquele contexto, o mercado entendeu que não era uma boa comprar títulos prefixados da dívida do governo federal. Consequência? O papel perdeu valor.

É esse tipo de oscilação que compõe a chamada “marcação a mercado”. Mas quem leva o papel até o vencimento não precisa se preocupar com isso. Se ficar até o final, recebe os R$ 1.000,00 por título e, portanto, garante a taxa de remuneração acordada no momento da compra.

Como podemos interpretar o gráfico? Quando a linha azul está acima da vermelha, o cliente está ganhando mais do que o acordado originalmente, já que os preços estão a seu favor. No mercado, dizemos que houve queda da taxa de juros (o que confere mais valor ao papel com taxa prefixada). Mas, quando o azul está abaixo do vermelho, é ruim. Porque os juros subiram (e, consequentemente, o papel prefixado perdeu valor). Nesse caso, o investidor pode até estar ganhando dinheiro na operação como um todo (está azul na maior parte do gráfico), mas certamente está recebendo menos do que esperava originalmente.

Em resumo: o Tesouro Prefixado é um título que me dá a informação exata de quanto irei ganhar no final, desde que o papel seja levado até o vencimento. Se resolver vender no meio do caminho, aí o resultado vai depender das condições de mercado, podendo haver perda ou ganho. É um excelente título para quem deseja uma programação de médio prazo e sabe mais ou menos de quanto irá precisar na época do vencimento. Exemplo: vou precisar de R$ 30 mil em 2020, para pagar a faculdade. Compro agora títulos do Tesouro Prefixado que me garantirão esse montante na data do resgate. Levo até o vencimento e lá estará a quantidade de dinheiro de que eu preciso.

 

Tesouro Selic – antiga LFT

É um título pós-fixado que vai remunerar o investimento pela taxa Selic do período. Antes de avançar na explicação, quero esclarecer uma coisa: a taxa oficial de juros no Brasil é a Taxa Meta Selic, que hoje vale 12,25% ao ano. Essa taxa é definida na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorre a cada 45 dias. Existe uma segunda taxa, que é a Taxa Selic, que atualmente está em 12,15% ao ano. Essa Taxa Selic é a média das taxas utilizadas em operações de empréstimo de dinheiro entre as instituições financeiras, calculada diariamente pelo Banco Central. Apesar de ser uma taxa resultante de livre negociação entre os bancos, a história nos mostra que ela corresponde à Taxa Meta Selic menos 0,10% ao ano (ou 12,25% – 0,10 % = 12,15%). Logo, quando a Taxa Meta Selic cai, a Taxa Selic desce junto, mantendo a diferença de 0,10% ao ano. Não existe nenhuma lei que obrigue esse comportamento, mas é assim que acontece há muitos e muitos anos.

Voltando ao Tesouro Selic, quem comprar esse papel vai estar sujeito a uma taxa flutuante, que é a Taxa Selic. Com um detalhe: se olharmos o site do Tesouro Direto, vamos ver que quem aplicar nesse título hoje vai ganhar, além da Selic, mais uma remuneração prefixada de + 0,06% ao ano. Portanto, o resultado será um pouquinho melhor que a Taxa Selic pura e simples. Atualmente há apenas um vencimento para o Tesouro Selic: 01/03/2023.

Diferente do Tesouro Prefixado, o Selic pouco é incomodado pela marcação a mercado.  Se o dinheiro ficar aplicado por pelo menos 10 dias, as oscilações do mercado praticamente já não atrapalham mais. Por ser pós-fixado indexado à Selic, que é uma taxa que não sofre alterações durante o intervalo das reuniões do Copom, o papel acaba tendo um comportamento previsível no curto prazo.

Portanto, se você tem dinheiro para investir e deseja liquidez com quase nenhum problema de marcação a mercado, o Tesouro Selic é o melhor título e também a melhor opção entre outras modalidades de investimento. Para se ter uma ideia, no cenário atual, esse título sempre bate a Caderneta de Poupança. Sempre! É o papel mais recomendado para quem quer entrar pela primeira vez no Tesouro Direto – principalmente se só tinha experiência com a poupança.

Alguma desvantagem? Somente o pequeno risco de marcação a mercado, se resgatar antes de 10 dias. Mesmo nesse caso, não terá grande prejuízo. Possivelmente sairá sem rendimento algum.

 

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais – antiga NTN-F

É um título que paga cupom semestral fixo de R$ 48,01 para cada quantidade comprada (uma quantidade é igual a 100% do título). Portanto, é um papel prefixado com pagamento de juros semestrais. Atualmente só existe um título disponível para aplicação, com vencimento em 01/01/2027. Assim, considerando uma aplicação feita agora, os cupons semestrais serão pagos em: 01/06/2017, 01/01/2018, 01/06/2018, 01/01/2019 e assim em diante, até o vencimento.

Quem comprar hoje (08/04) esse título vai pagar R$ 1.027,82 (considerando o título inteiro. A aplicação mínima é de R$ 30,83) e vai receber remuneração de 10,02% ao ano. No dia 01/06/2017, terá de saldo (sem considerar a marcação a mercado) 1.027,82 x 1,100235/252 = R$ 1.041,54. Se tirar os R$ 48,01 de cupom, ficará com um saldo de 1.041,54 – 48,01 = R$ 993,53. E isso vai ocorrer em todo início de semestre, até que, em 01/01/2027, data de vencimento, o investidor receberá R$ 1.000,00 (que é quanto vale esse título no vencimento), mais o último cupom de R$ 48,01 – chegando a um valor bruto de R$ 1.048,01. Repare que estou falando de valor bruto. Em outro momento, vou detalhar melhor a questão do Imposto de Renda no Tesouro Direto.

Ponto positivo desse título: é ideal para quem precisa de dinheiro a cada 6 meses e sabe exatamente de quanto vai precisar, pois, logo na largada, o investidor já conhece quanto receberá de juros semestrais. Ponto negativo: a marcação a mercado pode assustar, se tiver que vender o título antes do vencimento.

 

Resumindo

Escrevi sobre 3 títulos do Tesouro Direto, sendo um pós-fixado e dois prefixados.

– Tesouro Prefixado: um título que me permite saber logo de cara quanto vou resgatar no vencimento. Excelente para quem tem alguma despesa planejada e já sabe antecipadamente de quanto vai precisar. Mas é necessário ter cuidado. Se tiver que vender o papel o meio do caminho, está sujeito ao risco da marcação a mercado.

– Tesouro Selic: é o título mais recomendado para quem quer conhecer o Tesouro Direto, pois a marcação a mercado praticamente não incomoda e, portanto, há bem menos risco de perda. Aqui o investidor recebe a taxas de juros Selic do período, mais um prêmio. Excelente para quem procura liquidez, pois permite resgatar o dinheiro a qualquer momento, com baixíssimo risco de perder dinheiro.

– Tesouro Prefixado com Juros Semestrais: recomendado para quem deseja receber os juros a cada 6 meses. Porém, se tiver necessidade de vender o papel antes do vencimento,  corre o risco da marcação a mercado.

 

Dedico esse texto a 3 pessoas: minha irmã Cláudia, que fez aniversário na semana passada (parabéns!), e a um casal de amigos que resolveu juntar as escovas de dentes. Daniela e Jeferson, que sejam muitos felizes.

 

Acompanhe minhas publicações aqui no blog ou na minha página no Facebook: https://goo.gl/mXAwyP

0 Comentários