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Vitória de Marina no 1º turno entra no radar dos investidores

Fábio Alves

03 setembro 2014 | 14:50

Liderança com folga nas pesquisas eliminaria a principal incerteza do mercado financeiro no curto prazo: desfecho antecipado da eleição presidencial seria um considerado alívio

Marina: chance de ser eleita no 1º turno (Foto: Alex Silva)

Marina: chance de ser eleita no 1º turno (Foto: Alex Silva)

Os preços das ações na Bovespa, a cotação do dólar e as taxas dos contratos futuros de juros já estão precificando há alguns dias a vitória de Marina Silva à eleição presidencial, mas se as próximas pesquisas de intenção de voto mostrarem a candidata do PSB na liderança isolada na simulação de primeiro turno, os investidores podem começar a apostar na eleição de Marina já em 5 de outubro.

Uma aposta de vitória de Marina já no primeiro turno levaria a uma alta adicional da Bovespa e uma pressão de queda do dólar frente ao real. Se as pesquisas de opinião começaram a apontar para tal probabilidade, os investidores veriam eliminada a principal incerteza no curto prazo para os preços dos ativos financeiros: o desfecho da eleição presidencial.

A partir de então, os mercados começariam a especular sobre os nomes que fariam parte da equipe econômica, em particular o presidente do Banco Central e o ministro da Fazenda, num eventual governo de Marina Silva.

A Bolsa subiu 1,23% no pregão da terça-feira, puxada por uma alta de 3,6% das ações ON da Petrobras, com a especulação dos investidores de que as pesquisas Ibope e Datafolha, que serão divulgadas ainda hoje, vão mostrar Marina ultrapassando a presidente Dilma Rousseff na simulação de intenção de voto no primeiro turno da eleição presidencial.

Já o dólar, que passou a maior parte da sessão de negócios em queda ontem, acabou fechando praticamente estável a R$ 2,2440, mas ao redor das 11h40 desta manhã operava em queda de 0,45%.

A expectativa dos investidores foi alimentada ontem à noite com a divulgação do resultado da pesquisa Ibope nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em São Paulo, Marina subiu de 35% para 39%, enquanto Dilma manteve os 23% e Aécio Neves (PSDB) caiu de 19% para 17%. No Rio, Marina tem agora 38%, Dilma soma 32% e Aécio, 11%.

“O mercado tem de começar a precificar uma maior probabilidade de Marina liquidar a fatura no primeiro turno”, afirma um grande investidor brasileiro. “Isso seria positivo na margem, pois Marina só sinalizará com dois aspectos importantes (nomes da equipe econômica e montagem da coalizão de governo) para o mercado nesse momento após as eleições; se isso resolve mais cedo melhor.”

Segundo o diretor-executivo de uma administradora de recursos localizada na Avenida Faria Lima, em São Paulo, o mercado financeiro já está, pelo menos, 70% precificado uma vitória de Marina Silva num eventual segundo turno com Dilma.

“Se as pesquisas mostrarem probabilidade maior de vitória de Marina no primeiro turno, então essa mudança de ‘timing’ – mesmo que não de resultado – afetará ainda os preços dos ativos, pois se reduz o chamado risco de cauda, isto é, o risco de que o desfecho seja outro (como vitória de Dilma) que não o precificado hoje pelos investidores”, argumenta o executivo entrevistado acima. “Ou melhor, o risco de continuidade da política econômica que não é aceita pelos investidores, que é a política conduzida pelo governo Dilma.”

Na opinião de um experiente economista paulista, o risco atual é de Aécio desidratar mais e por isso, com alguma queda adicional de Dilma, possibilitar uma definição pró Marina já no primeiro turno.

“De qualquer forma, acho essa hipótese pouco provável, pois a estrutura do PT tende a ‘garantir’ um patamar de 30% para a presidente Dilma”, diz a fonte acima. “Além disso, talvez esta semana marque o ápice dos números de Marina: a despeito da qualidade moral dos ataques, o bombardeio a que Marina tem sido exposta não é trivial e parte deles pode colar em parcela do eleitorado.”

Uma nova arrancada de Marina nas pesquisas Ibope e Datafolha hoje poderá também deixar o mercado financeiro mais vulnerável à especulação com possíveis nomes da equipe de um eventual governo da candidata do PSB. “Ainda há incertezas importantes nesse campo”, diz o investidor brasileiro ouvido anteriormente. “Além de boas ideias, o que estará em jogo será a capacidade de implementá-las: nomes experientes e com boa reputação nesse quesito podem fazer muita diferença.”

Fábio Alves é jornalista do Broadcast