1. Usuário
Assine o Estadão
assine

  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Os vira-casacas do impeachment

Fábio Alves

18 março 2016 | 13:28

Diante das pressões nas ruas e do noticiário político é mais provável deserções dos votos da base aliada da presidente do que de seus oposicionistas

Deputados fazem sessão extraordinária para processo de eleição da comissão inicial do impeachment da presidente Dilma

Deputados fazem sessão extraordinária para processo de eleição da comissão inicial do impeachment da presidente Dilma

Está equilibrada na fotografia de hoje a contagem de votos a favor e contra do impeachment na comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará o tema e produzirá um parecer.

Todavia, diante das pressões nas ruas e do noticiário político ao sabor do desenrolar da Lava Jato, é mais provável deserções dos votos da base aliada da presidente Dilma Rousseff do que de seus oposicionistas.

O pêndulo poderá se mover com mais velocidade de um a outro lado dependendo, inclusive, da posição de expoentes políticos dando o seu endosso para o impeachment.

O exemplo maior está em Marina Silva, da Rede Sustentabilidade. Ela recebeu 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais e tem um grande poder de persuasão.

Mas até agora, Marina e a Rede estão adotando uma linha tucana sobre o posicionamento no impeachment. Marina postou na manhã desta sexta-feira na sua conta do Twitter uma declaração da executiva nacional do partido.

“A Rede Sustentabilidade acompanha com preocupação os últimos acontecimentos políticos ocorridos no Brasil. O partido entende que o momento demanda profundo senso de responsabilidade na defesa do interesse público e reitera a necessidade de diálogo nacional. Neste momento, é preciso manter a serenidade e, acima de tudo, o respeito às instituições democráticas”, diz o texto com a assinatura apenas da Comissão da Executiva Nacional da Rede.

Sem, no entanto, anunciar oficialmente a posição do partido, o texto do comunicado faz apenas a seguinte declaração:

“A REDE entende que a nomeação do ex-presidente Lula para o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil aprofunda a atual crise ao invés de apontar para uma saída, em especial pela suspeita de que tenha sido feita para obtenção de foro privilegiado. Sua nomeação também ocorre em um momento em que surgem indícios que fortalecem a tese para o impeachment da presidente Dilma Rousseff.”

Num levantamento feito pela consultoria Arko Advice, há hoje 32 deputados a favor do impeachment, 31 contra e 2 indefinidos (Aliel Machado, Rede, e Welinton Prado, PMB).

Em conversa com esta coluna, o titular da Rede na comissão de impeachment, Aliel Machado (PR), disse que hoje seu voto está indefinido, mas que a maioria da bancada do partido na Câmara é favorável ao impedimento da presidente Dilma.

Machado informou ainda que a Rede deverá anunciar uma posição oficial sobre o impeachment na próxima semana.

Entre partidos da chamada base aliada, os parlamentares estão divididos entre alas governistas e oposicionistas, em particular o PMDB, o qual, com oito integrantes na comissão do impeachment, encontra-se rachado igualmente com votos contra e a favor do impedimento de Dilma.

É no PMDB que os votos aliados ao governo correm maior risco de virar a casaca a favor do impeachment.

Na cerimônia de posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil, ontem em Brasília, foi marcante a ausência do presidente do Senado, Renan Calheiros, até agora o mais próximo aliado peemedebista de Dilma. Que o vice-presidente Michel Temer faltou o evento, não causou surpresa a ninguém.

Mas entre as prováveis deserções da base aliada, fala-se em PSD e PTB. Dos quatro membros do PSD na comissão, dois já se declararam contra o impeachment. Dois dos três membros do PTB declararam voto em apoio ao governo – no levantamento feito pela Arko Advice -, incluindo o relator da comissão (Jovair Arantes-GO), mas ele é visto como um aliado de Eduardo Cunha, ferrenho inimigo do governo Dilma.

Dos partidos que se declaram como oposição ao governo Dilma, apenas o PSOL já se posicionou contra o impeachment. O voto do partido na comissão é do deputado Chico Alencar, que não deve mudar de posição.

E como o número de partidos oposicionistas é bem menor do que a colcha de retalho que é a base aliada, fica mais improvável a mudança de votos a favor do governo.

Um dos fatores cruciais para a mudança de votos aliados em direção à oposição na comissão do impeachment é o desfecho da crise que abate o ex-presidente Lula, especialmente se o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir contra o petista em relação às ações para impedir sua nomeação como ministro e, em particular, a mudança de foro nas investigações da Lava Jato, isto é, se Lula passa a ser investigado pelo STF ou segue na alçada do juiz Sérgio Moro.

A comissão de impeachment não é a palavra final, muito pelo contrário. Estará nas mãos do Plenário da Câmara. Mas é nela que o governo deposita suas esperanças para tentar travar o processo.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.