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Uma alta pontual dos juros ou um novo ciclo de aperto?

Fábio Alves

18 janeiro 2016 | 16:54

Primeiro Copom do ano deve trazer sinais sobre a magnitude do aperto monetário a ser feito pelo Banco Central

Apesar da aposta majoritária de elevação da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 14,75%, a decisão do Copom sobre os juros básicos e o seu comunicado, ao final da reunião de política monetária desta quarta-feira, 20, têm um grande potencial para mexer com os preços dos ativos, em especial a curva de juros.

Não somente em razão dos ruídos em relação à decisão em si – com uma corrente importante de economistas e analistas defendendo a manutenção da taxa Selic -, como também quanto ao teor do comunicado após a decisão do Copom.

Isso porque o comunicado poderá sinalizar a magnitude do aperto monetário ou até mesmo uma possível intenção do Banco Central em subir os juros apenas neste mês e parar para ver o que acontece com os indicadores de atividade e as expectativas inflacionárias.

Na manhã desta segunda-feira, os contratos futuros de juros embutiam uma probabilidade de 80% de o BC elevar a taxa Selic em 0,50 ponto.

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(Foto: André Dusek/Estadão)

Portanto, se o Copom surpreender e subir os juros em 0,25 ponto ou até se mantiver a Selic inalterada, a reação do mercado será forte, com a correção das taxas do mercado futuro.

E mesmo que o BC siga a aposta do mercado, de alta de 0,50 ponto, o comunicado do Copom poderá afetar a curva de juros.

Primeiro, porque ainda não há consenso entre aqueles que esperam uma elevação de 0,50 ponto sobre o tamanho final do aperto monetário, com a maioria das estimativas apontando um ciclo entre 1 e 1,25 ponto porcentual. Segundo, porque há quem não descarte uma pausa após a alta dos juros na reunião deste mês.

O teor do comunicado pode dar uma pista importante sobre se a eventual elevação dos juros neste mês será apenas um movimento “one-off”, ou seja, extraordinário, uma alta pontual.

Para isso, os analistas e investidores vão prestar atenção na linguagem que o Copom utilizará para circunscrever no tempo a sua decisão.

Se, por exemplo, o texto do comunicado vier com advérbios como “neste momento”, o mercado entenderá que o BC não estará inclinado a fazer um ciclo de aperto, podendo não subir os juros na reunião seguinte do Copom, isto é, a autoridade monetária estaria então “data dependent” (ou dependendo dos indicadores) para decidir seu próximo movimento.

Nesse caso – se o entendimento for de uma alta extraordinária e não um ciclo de aperto – a parte curta da curva de juros recua, deixando-a mais positivamente inclinada ao impor mais prêmio de risco para os contratos mais longos.

Por outro lado, se o texto for mais vago, genérico ou indefinido quanto à decisão de subir os juros, os investidores vão entender a alta da Selic neste mês como o início de um ciclo de aperto monetário.

Também com potencial de mexer nos preços dos ativos é o desfecho de uma decisão dividida do Copom, isto é, se o BC subir os juros em 0,50 ponto, mas mais de um diretor votar a favor de um alta menor ou mesmo para a manutenção da taxa Selic.

De qualquer forma, os ruídos gerados por notícias de bastidores sobre a política monetária tornaram aberto o desfecho da reunião do Copom, a despeito da aposta majoritária do mercado de elevação de 0,50 ponto dos juros básicos.

Esses ruídos permanecem mesmo com um discurso “hawkish” (inclinado ao aperto) observado nos últimos instrumentos oficiais de comunicação do BC e também nas falas de seus diretores. A questão é que o mercado está pagando para ver se o que o BC fala pode ser levado a sério.

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