Fundo cambial ganha rentabilidade com alta do dólar, mas risco é elevado

Fundo cambial ganha rentabilidade com alta do dólar, mas risco é elevado

O melhor investimento é aquele que mais bem atende aos seus objetivos financeiros

Economia & Negócios

14 Setembro 2015 | 09h31

Investimento em fundo cambial depende da carteira de investimentos (Foto: Epitacio Pessoa/Estadão)

Aplicar em fundo cambial depende da carteira de investimento (Foto: Epitacio Pessoa/Estadão)

 

Posso perder dinheiro mesmo aplicando em títulos do Tesouro Direto com proteção da inflação?

Como todo investimento há, sim, riscos no investimento no Tesouro Direto, embora não exista o chamado risco de crédito. O investidor pode perder dinheiro em duas situações. A primeira delas ocorre por conta do risco de mercado, que ocorre caso o título seja vendido antes do prazo de vencimento. Na venda antecipada o valor do título é o de mercado, ou seja, o preço no momento da venda. Por exemplo: o investidor comprou um título Tesouro IPCA (antiga NTN-B) no ano passado por R$ 100. Mas, com a subida da taxa Selic, esse título pode ter hoje um valor menor e a venda pode gerar prejuízo. A segunda situação de perda é bem mais difícil de ocorrer, mas é possível. O título Tesouro IPCA oferece como remuneração uma taxa fixa de juros mais a variação da inflação. Portanto, em tese, haverá um ganho real acima da inflação. Mas, para cálculo da rentabilidade líquida real, devem ser descontados do ganho bruto nominal os custos da operação, o Imposto de Renda e a inflação do período. Para deixar mais claro, tomemos como exemplo a compra do título Tesouro IPCA + 2019. O próprio site do Tesouro Direto permite a simulação do resultado dessa aplicação. Vamos admitir que o resgate ocorresse somente no vencimento, em 15/05/2019. Considere como dados a aplicação de R$ 100, com taxa de administração de 0,5%, taxa de remuneração fixa de 7,39% ao ano e inflação prevista de 9,5% ao ano. A rentabilidade líquida obtida é de 14,67% ao ano, mas descontando-se a inflação a rentabilidade real é de 4,72% ao ano. Considerando os mesmos dados básicos, mas com a inflação na casa dos 6,5% ao ano, a rentabilidade líquida real subiria para 4,98% ao ano. Isto porque nós temos que pagar IR de 15% sobre todo o ganho realizado e não somente sobre o ganho financeiro. Como dois leitores me corrigiram, nós temos que pagar imposto sobre a inflação, o que eu não considerei em cálculo similar em coluna recente. Dessa maneira, há a possibilidade de que no período o IPCA suba tanto que o imposto pago sobre essa inflação “coma” o ganho financeiro realizado. Isto é quase impossível de ocorrer porque a inflação precisaria atingir a faixa de 45% ao ano e a perda seria somente em aplicações de curto prazo. De todo modo, isto nos mostra claramente o quanto o cidadão paga de tributos no Brasil e o absurdo que é pagar imposto sobre inflação.

Consegui juntar R$ 26 mil, que guardo em uma poupança. Tento levar a vida “esquecendo” esse dinheiro porque não tenho finalidade imediata. Vejo que ele não rende muito. Pensei em investir no Tesouro Direto, mas não sei a melhor opção. Gostaria de ter uma quantia elevada para resgate rápido.

Invista em Tesouro Selic (LFT) que são títulos do Tesouro Direto que acompanham a taxa de juros e indicado justamente para aqueles que não sabem exatamente quando irão precisar dos recursos. Esse título acompanha a taxa Selic que é a taxa de juros básica da economia. Aparentemente, o caminho de elevação dessa taxa é de conservação nos atuais patamares. Trata-se de uma aplicação que apresenta baixa volatilidade, assim, evitando perdas no caso de venda antecipada, indicada para investidores com perfil conservador. A recompra do título ocorre pelo valor de mercado diariamente, logo a liquidez é alta. A sua postura de “esquecer” o dinheiro investido é muito positiva, mas isto não quer dizer que você pode deixar esses recursos em qualquer aplicação. Na caderneta, o dinheiro está rendendo menos que a inflação, então o ideal é resgatar esse valor e investir em alguma alternativa. Você pode, também, pesquisar as rentabilidades de fundos de renda fixa, desde que consiga taxas de administração baixas. Por outro lado, procure definir melhor os seus objetivos para poder ter mais opções de investimentos e que sejam mais equilibradas na relação ao risco e retorno, em consonância com suas metas.

Qual melhor investimento para o atual cenário vinculado à alta que o dólar terá nos próximos meses?

O cenário é de muito risco. Para o investidor médio é recomendado aplicar em renda fixa que, com as altas taxas de juros de nosso mercado, estão remunerando bem sem tanto risco. O melhor investimento é aquele que mais bem atende aos seus objetivos financeiros. Todos os investimentos são bons em si, mas não são bons em todos os momentos e nem para todos os bolsos. Em outros termos, aplicar em um fundo cambial pode ser uma boa alternativa no momento, mas dependendo de sua carteira de investimentos e de quando esse dinheiro deverá estar de volta no seu bolso, essa opção pode ser péssima. Primeiro, estabeleça qual o objetivo para o investimento. Isso é importante para determinar o prazo máximo que os recursos poderão ficar aplicados e a importância desse dinheiro. Assim, haverá definição do grau de risco a ser tomado e, a partir daí, os investimentos mais adequados. Podemos pensar em algumas opções para aqueles que têm um valor para aplicação mais limitado e que a diversificação se torna difícil. Tendo com objetivo, por exemplo, a aposentadoria, o prazo à disposição é longo e o valor recursos é grande. Neste caso, os títulos do Tesouro Direto ou planos de previdência são interessantes. Caso o seu objetivo seja de curto prazo, como uma viagem no fim do ano, pode ser pensado em um fundo de renda fixa ou em CDBs. As LCIs e LCAs são boas alternativas para prazos superiores a seis meses. Vale a ressalva de que os investimentos em renda variável, câmbio ou ouro são indicados para quem tem maior volume disponível e mais conhecimento de mercado, visto que o risco é elevado.