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“A falta que o PSDB antigo faz”

Segunda parte da versão mais longa da minha entrevista com Arminio Fraga, que saiu no Estadão de 13/8/17. Aqui Arminio fala de política.

Fernando Dantas

15 Agosto 2017 | 10h42

Falando sobre política, Arminio diz que não gostaria de pré-julgar Aécio Neves pelos escândalos em que o ex-candidato a presidente se envolveu, mas acrescenta ser inegável que o episódio manchou a reputação do político mineiro e do PSDB. Arminio também elogiou o Partido Novo, se colocou contrário às cláusulas de barreira e disse que não tem planos na política:

Os escândalos relativos ao Aécio abalaram o sr.?

Não cabe a mim julgar nem pré-julgar. Eu acho que o Aécio vai se defender e vai fazer isso da melhor maneira possível. Mas tudo o que aconteceu com ele e com o PSDB neste período não poderia ter vindo numa hora pior. Hoje, o PSDB, se ainda fosse o partido que foi na sua origem, seria barbada para ganhar. Partido competente, com tradição de seriedade. E acho que perdeu um pouco esse diferencial, claro que não tanto como outros partidos grandes, PT e PMDB, parceiros nessa fratura que agora está exposta. O Aécio foi um bom candidato, se superou durante a campanha, tinha uma proposta excelente, e de repente aconteceu o que aconteceu. Fiquei triste e espero que ele se defenda como todo mundo tem direito a se defender. Mas que isso manchou a reputação pessoal dele e a do partido é inegável. Acho que ele próprio deve ter consciência disso.

E como o sr. vê a atuação do PSDB em relação ao governo Temer?

Está hesitando, no pior dos mundos. Não sou filiado, mas sou amigo do partido, tenho muitos amigos lá. Por mim, o PSDB não estaria no governo, mas estaria apoiando as boas reformas. O PSDB andou no passado fazendo o oposto, votou pelo fim do fator previdenciário, o que não casa com seu projeto de país. Eu tenho a angústia, como brasileiro, de saber o que um partido como o PSDB, na sua versão original, poderia oferecer ao País.

Como o sr. vê o Partido Novo?

Eu acho ótimo, sensacional. Não tenho intenção de me filiar, mas, se puder ajudar de alguma maneira, pretendo fazê-lo. Acho que a renovação no Congresso vai ser lenta, mas vai acontecer. O Novo está se posicionando para isso. Eu gosto de um partido que se propõe a uma gestão eficiente e honesta. Aliás, tenho até dúvida sobre a cláusula de barreira.

Por quê?

Ainda não tenho uma reflexão mais aprofundada sobre o tema, mas acho que a cláusula de barreira pode estar combatendo mais o sintoma do que o problema, a doença. É bom ter concorrência entre os partidos, é bom que haja espaço para partidos novos surgirem. Criar uma barreira à entrada tão rápida não é tão bom. O problema talvez esteja no desenho do fundo partidário, no uso do tempo de televisão, e nas coligações proporcionais. A regra hoje incentiva a criação de partidos pequenos, praticamente virou um mercado. Isso precisa ser revisto, você não precisa dar tempo de televisão para 40 candidatos. Mas eu vejo como importante o espaço para surgimento de novos partidos, porque isso que está aí não está dando muito certo.

O sr. ainda tem algum plano para a vida pública? A situação do Rio, por exemplo, não lhe faz pensar em algum plano eleitoral?

Não tenho essa ideia, não. Eu faço parte do grupo de pessoas que pensam sobre essa questão do Rio. Seria bom em algum momento aparecer uma candidatura com capacidade de resolver esse grande imbróglio. Mas eu não tenho nenhum desejo de me filiar a partidos ou concorrer a cargos, nem no Executivo nem no Legislativo. Mas não descarto colaborar.