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América Latina com presença forte no Fórum Mundial

Dilma não vai, mas quatro importantes presidentes latino-americanos, incluindo o recém-eleito Mauricio Macri, da Argentina, estão no programa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que começa na próxima semana.

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Fernando Dantas

15 Janeiro 2016 | 20h17

Com forte presença latino-americana, e destaque para o novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, o Fórum Econômico Mundial de Davos inicia-se na próxima semana, na terça-feira, em meio a renovadas preocupações com o estado debilitado da economia global e os crescentes riscos geopolíticos. O Fórum dura até sábado, 23/1.

A presidente Dilma Rousseff, que foi apenas uma vez ao evento, em janeiro de 2014, perde a oportunidade este ano de se encontrar com os chefes de Estado de importantes países latino-americanos que estão na programação do Fórum, como o próprio Macri, Enrique Peña Nieto, presidente do México, Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia e Ollanta Humala, presidente do Peru.

A discussão sobre a economia latino-americana, região com vários países atingidos pela queda das commodities, também contará com Nelson Barbosa, ministro da Fazenda do Brasil, além de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais da região. Um dos destaques é Alfonso Prat-Gay, o novo ministro das Finanças da Argentina, um nome admirado pelo mercado financeiro e que tem a tarefa hercúlea de corrigir a rota da economia do país numa direção mais ortodoxa, depois de mais de uma década de populismo desenfreado.

O setor financeiro brasileiro também estará bem representado, e alguns dos nomes são Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco; Pedro Moreira Salles, chairman do Itaú-Unibanco; Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco. Também está prevista a presença de Pérsio Arida, chairman do BTG Pactual, cujo fundador, André Esteves, está em prisão domiciliar por acusações no âmbito da operação Lava-Jato. Esteves participou do Fórum de janeiro de 2015, ainda como principal executivo do BTG Pactual. Outra presença no programa de Davos este ano é de Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

O Fórum foi realizado pela primeira vez em 1971, com outro nome (Fórum Europeu de Gestão), e mais focado no mundo de negócios. Na década de 80, o encontro já trazia muitos chefes de Estado e evoluiu para uma plataforma de discussão das grandes questões econômicas e políticas do mundo, mudando o nome em 1987 para Fórum Econômico Mundial. Hoje o Fórum é uma organização poderosa que realiza vários outros eventos além do principal, que é o Fórum Anual em Davos (que apenas uma vez, em janeiro de 2002, foi transferido para Nova York, como um gesto de apoio à cidade depois dos atentados das torres gêmeas em setembro de 2001).

O tema principal do Fórum de 2016 é a “quarta revolução industrial”, assunto de um longo trabalho recente do fundador e chairman executivo do Fórum, Klaus Schwab.

De acordo com a divulgação do Fórum, depois da primeira revolução industrial, da máquina a vapor; da segunda, da eletricidade e da produção em massa; da terceira, da eletrônica, tecnologia da informação e automatização; a quarta revolução industrial é caracterizada pela “fusão de tecnologias que está apagando as linhas divisórias entre as esferas física, digital e biológica”. Algumas das áreas mencionadas como no âmbito da quarta revolução industrial são inteligência artificial, a “internet das coisas”, a impressão 3-D, a computação quântica e a nanotecnologia.

No entanto, apesar de todo esse apelo tecnológico e futurista, que estará pesadamente presente no massacrante programa de centenas de painéis e debates em apenas quatro dias, a tradição do Fórum é de que as grandes questões econômicas e políticas globais de natureza mais conjuntural ganhem um destaque especial, independentemente do tema oficial.

Assim, com certeza estarão fortemente na pauta a desaceleração chinesa e dos países emergentes, a normalização da política monetária norte-americana, a economia da zona do euro, a queda do preço das commodities e especialmente do petróleo, o aumento da desigualdade, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e as migrações.

Debate econômico

Na discussão econômica, o Fórum como sempre contará com um supertime de economistas, como os detentores de prêmio Nobel Joseph Stiglitz, Robert Shiller, Michael Spence e Edmund Phelps; e nomes de destaque global como Nouriel Roubini, Raghuran Rajam (atual presidente do BC da Índia), Jeffrey Sachs e Kenneth Rogoff.

Também não faltarão autoridades econômicas do mais alto escalão mundial, como Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE); Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI; Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial; Jacob Lew, secretário do Tesouro dos Estados Unidos; Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha; Mark Carney, presidente do Banco da Inglaterra (BC); Haruhiko Kuroda, presidente do Banco do Japão; e o brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC.

Outro personagem das finanças globais, que nunca falta aos encontros de Davos e tem presença prevista este ano é o mega-investidor George Soros.

Uma faceta extremamente importante do Fórum Mundial – talvez a mais relevante do ponto de vista da organização do evento, que tem aí suas origens – é a presença dos principais executivos, chairmen e acionistas das maiores empresas globais. É uma lista inumerável, onde se destacam nomes como Bill Gates, da Microsoft; Michael Dell, da Dell; John Chambers, da Cisco; Carlos Ghosn, da Renault-Nissan; Richard Branson, da Virgin; Doug McMillon, do Wal-Mart; Joe Kaeser, da Siemens; Paul Bulcke, da Nestlé; Lakshmi Mittal, da ArcelorMittal; Jack Ma, do Alibaba; Frederico Curado, da Embraer; James Dimon, do JP Morgan Chase; Brian Moynihan, do Bank of America; Michael Corbat, do Citi; Ana Botín, do Santander; Travis Kalanick, principal executivo e cofundador do Uber; e Jimmy Wales, fundador e chairman emérito da Wikipedia.

Como de hábito, também irão ao Fórum diversos chefes de Estados. Segundo a organização, são mais de 40 chefes de Estado e de governo.  Além dos já mencionados presidentes da América Latina, alguns destaques são David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido; Jacob Zuma, presidente da África do Sul; Muhammad Nawaz Sharif, primeiro ministro do Paquistão; Muhammadu Buhari, presidente da Nigéria; e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

Especial atenção devem receber Alex Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, que se elegeu com uma plataforma de esquerda que se choca com muito do que é consensual para as lideranças do establishment global reunido em Davos; e Justin Trudeau, o jovem e inovador primeiro-ministro do Canadá, eleito há pouco tempo.

Também contribuirão para a discussão geopolítica participantes como John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos; Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas; ministros das relações exteriores de países onde é alta a tensão, como Irã e Turquia; e intelectuais e consultores como o historiador Niall Ferguson e Ian Bremmer, presidente do grupo Eurasia.

Finalmente, não podem faltar em Davos alguns nomes do showbiz, como Bono, veterano dos Fóruns, o estreante Leonardo DiCaprio, Peter Gabriel, o ator Kevin Spacey, o violonista Yo-Yo Ma; e, representando o mundo dos esportes, o piloto de fórmula 1 Sebastian Vettel.

O Fórum costuma reunir, segundo a organização, cerca de 2.500 pessoas, entre líderes empresariais, chefes de Estado e autoridades políticas e econômicas, jornalistas, intelectuais, representantes de ONGs, etc. A partir da semana que vem, estarei em Davos, cobrindo o Fórum. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast

Esta coluna foi publicada pela AE-News/Broadcast em 15/1/16, sexta-feira.

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