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Olhar de fora

Pesquisa junto a investidores do UBS coloca o Brasil como mercado emergente grande mais promissor em 2018.

Fernando Dantas

12 Dezembro 2017 | 10h58

Mesmo que, no mercado financeiro nacional, haja complacência em relação aos riscos fiscais no Brasil, é muito difícil encontrar algum brasileiro hoje em dia que manifeste real entusiasmo com perspectivas econômicas do País. É no mínimo curioso, portanto, que recente enquete, conduzida junto a investidores pela pesquisa global do UBS, aponte o Brasil como principal aposta em 2018 do mercado global voltado para economias emergentes grandes.

A informação consta de relatório de 6/12 dos economistas Geoff Dennis e Alexey Ostapchuk, do UBS. O Brasil é o “top pick” dos investidores consultados sobre apostas em mercados emergentes grandes para 2018, sendo citado por 25% dos entrevistados. Índia e China também foram destaques, mas o mercado chinês, em contrapartida, foi votado por 20% dos consultados como o que terá “pior desempenho” em 2018 entre os emergentes grandes. E a América Latina chegou na frente como melhor região no ano que vem, ligeiramente à frente da Ásia.

Adicionalmente, quando se perguntou ao conjunto dos investidores consultados quais as melhores ações na América Latina para 2018, o Brasil apareceu em duas das três principais menções, com o Banco Itaú citado por 19%, e a Petrobrás por 18%. A mexicana Cemex foi mencionada por 19% dos investidores.

As ações de países emergentes, aliás, foram consideradas de longe a melhor classe de ativo para 2018 pelo o conjunto de investidores auscultados pelo UBS, sendo mencionadas por 70% dos votantes. O segundo lugar, “cash” nos Estados Unidos remunerado pelos Fed Funds, teve apenas 11% de menções. E as ações dos países ricos somente 10%. Em contraste com as ações, os títulos de renda fixa dos emergentes não foram mencionados por nenhum investidor.

Refletindo a escolha das melhores ações, como notam Dennis e Ostapchuk, o real e o peso mexicano foram escolhidos como moedas mais promissoras para 2018.

Segundo os investidores ouvidos pelo UBS, o Brasil deve crescer entre 2% e 3% em 2018. Já a projeção para os Estados Unidos é de 2% a 2,5%, mas os dois economistas observam que este prognóstico não parece levar muito em consideração os efeitos da reforma tributária de Donald Trump.

Significativamente, a projeção é de apenas uma elevação dos Fed Funds em 2018, supondo que o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) aumente a taxa básica de juros americana na reunião da próxima semana, como o UBS prevê. A enquete com os investidores também antevê que a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano de dez anos suba em 2018 para um patamar entre 2,5% e 3% (hoje está em 2,37%). E o petróleo, cobre e trigo são apontados como melhores commodities para o próximo ano.

A visão sobre o Brasil dos investidores internacionais ouvidos pelo UBS, portanto, é de um crescimento econômico dentro do intervalo previsto pelos analistas do mercado interno, mas com um cenário particularmente favorável para a bolsa e o câmbio. Assim, aparentemente o mundo continua comprando a ideia de que o dramático impasse fiscal brasileiro e a necessária reforma da Previdência serão de alguma forma equacionados ao longo dos próximo anos, o que significa no mínimo projetar que o vitorioso nas eleições de 2018 ano não fará uma ruptura radical com a atual política econômica.

Tomara que os investidores internacionais estejam certos quanto a essa aposta sobre a economia e a política brasileira. Por outro lado, tomara que os 34% que colocaram a Alemanha como a mais provável vitoriosa na Copa da Rússia estejam errados. O Brasil veio em segundo, com 18% dos votos, logo à frente, da Argentina, com 17%. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 8/12/17, sexta-feira.