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Alimentos e recessão trazem a inflação para a meta

José Paulo Kupfer

07 Abril 2017 | 19h50

A inflação, medida pelo IPCA, subiu 0,25% em março, na c omparação com fevereiro e recuou para 4,57%, no acumulado em 12 meses. Prossegue em marcha firma para fechar 2017 no centro da meta ou até abaixo dela. Se confirmada a trajetória previsível, será a quinta vez que isso ocorrerá, em 19 anos de vigência do sistema de metas.

Descompressão em alimentos e persistência da recessão, com seus efeitos negativos na taxa de emprego e no crédito, explicam as tendências declinantes dos índices de preços. Ainda que com variações pontuais mês a mês, a inexistência de expectativas de choques no item alimentos sustenta as projeções de um recuo da inflação, em 12 meses, pelo menos até agosto, quando, de acordo com as previsões, a inflação poderá chegar bem perto do piso do intervalo da meta, que é de 3%.

A maior parte dos analistas prevê uma retomada inflacionária nos último trimestre do ano, mas não a ponto de furar o centro da meta. As apostas, depois dos resultados de março são de que a variação do IPCA ficará entre 4,2% e 4,5%, na virada do ano. Há, porém, projeções sinalizando para um resultado final abaixo de 4%.

Como Banco Central se atrasou em relação ao ritmo da tendência de queda da inflação, nos últimos meses do ano passado, terá de acelerar o passo no corte dos juros básicos, para reverter um paradoxo que está ocorrendo: as reduções na taxa de juros nominais estão resultando em elevação na taxa real de juros. As decisões econômicas relevantes para impulsionar a expansão dos negócios e o crescimento da economia são ancoradas nas taxas reais de juros.


É por isso que os analistas estão certos de que o BC cortará os juros básicos, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da quarta-feira que vem, em pelos menos 1 ponto porcentual, trazendo a taxa Selic de 12,25% ao ano para 11,25%. Outra redução, na mesma base, também é esperada para a reunião de maio, com o ciclo de cortes possivelmente se encerrando em outubro, em torno de 9%.

O objetivo é encontrar o ponto em que os juros reais se estabilizem em 5% anuais. Nas atuais condições da economia brasileira, esta é a taxa considerada neutra – ou seja, aquela mais baixa possível que não pressiona a inflação.