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Crescer entre idas e vindas

José Paulo Kupfer

18 Outubro 2017 | 19h01

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado mensalmente pelo Banco Central, é uma métrica da evolução do comportamento da economia diferente daquela utilizada na elaboração das variações do Produto Interno Bruto (PIB). Apurada em base trimestral, a evolução do PIB registra as efetivas transações entre setores na economia, enquanto o IBC-Br consolida o resultado ponderado de pesquisas setoriais de atividade. De qualquer modo, o IBC-Br, comprovadamente, tem valor como referência na antecipação das tendências econômicas que aparecerão com a divulgação do andamento do PIB.

Assim, se o IBC-Br diz alguma coisa sobre o ritmo de evolução da economia, ele está dizendo que o nível de atividade em 2017 está em recuperação, consistentemente acima do que se tinha nos últimos dois e recessivos anos, mas em ritmo lento e hesitante, entre idas e vindas mensais. De janeiro até aqui, os avanços consecutivos no indicador não conseguiram superar dois meses. Em março, maio e agosto, o IBC-Br recuou e devolveu parte do resultado positivo anterior.

O recuo de 0,38% em agosto sobre julho — algo já esperado pela retração dos grandes ramos de atividade no mês (indústria, com menos 0,8%), comércio restrito (menos 0,5%) e serviços (menos 1%) —, que sucedeu alta de 0,41% de julho sobre agosto, deverá ser seguido de novo resultado positivo em setembro. O terceiro trimestre, de acordo com as projeções, deverá fechar com a economia progredindo em torno de 0,3% em relação ao segundo trimestre. Se o desempenho se repetir no último trimestre do ano ou até um pouco mais, como esperado, assegurará expansão em torno de 0,7% no ano, número para a qual convergem hoje as previsões.

Inflação estavelmente baixa, muito ajudada tanto pela supersafra de grãos quanto pelas boas condições climáticas para as culturas de ciclo mais curto, e a liberação de recursos do FGTS produziram uma importante distensão na renda disponível, que acionou compras e ainda vazou para a redução do endividamento das famílias. O resultado dessa combinação foi a volta do consumo e a abertura de espaços à demanda por crédito, ainda que os juros efetivos não tenham acompanhado o ritmo acentuado de corte da taxa básica.


Mesmo com o esgotamento do impulso trazido pelo dinheiro do FGTS e a recuperação dos preços dos alimentos, a expansão do consumo propiciou um relativo avanço no mercado de trabalho, com um início de reabertura de vagas fechadas e ampliação da ocupação no segmento informal. Com isso e com a continuidade da demanda por crédito pelas famílias, o consumo tem condições de continuar avançando, mas não muito rápido. O nome do jogo do momento, em resumo, é o da ocupação passo a passo da capacidade instalada, reduzindo grandes áreas ociosas.

É preciso esperar até que essa ocupação de espaços ganhe consistência para poder prever uma mudança no padrão de comportamento da economia, rumo a uma recuperação mais convincente e consistente. É aí que o ainda elevado endividamento empresarial se encontrará com as agudas e profundas restrições fiscais e as incertezas políticas para, possivelmente, atrasar as decisões de investimento e a retomada mais franca e duradoura da atividade econômica.