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Dúvida é se os juros descerão abaixo de 7%

José Paulo Kupfer

25 Outubro 2017 | 20h22

A unanimidade não se deu só entre os diretores do Banco Central que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom). Também era unânime entre os analistas do mercado que a taxa básica de juros sofreria um corte de 0,75 ponto porcentual, na reunião desta quarta-feira. Foi a nona redução consecutiva da taxa Selic, num ciclo de afrouxamento que já dura 14 meses e que, saindo de 14,25% ao ano desceu agora a 7,5%.

No comunicado divulgado no encerramento do encontro, os membros do Copom anteciparam a perspectiva de que 2017 termine com os juros básicos em 7% ao ano — menor taxa desde a adoção da Selic como baliza da política monetária, em março de 1999. Mas o ciclo de cortes pode ir além, chegando a 6,75% ou mesmo 6,5%, em fevereiro de 2018. O comunicado que detalhou esta mais recente redução da taxa Selic deixou em aberto a extensão do ciclo de cortes até a reunião de fevereiro.

O que pode levar o Copom a trazer os juros básicos a menos de 7% antes de encerrar o ciclo atual é o surgimento de pressões inflacionárias a bordo de uma recuperação mais rápida do que está se dando no momento. Com perspectivas benignas para a marcha dos preços até pelo menos meados de 2019, o fator chave dessa decisão virá do comportamento do chamado hiato do produto — a diferença entre o PIB potencial, aquele que poderia ser alcançado com as condições existentes na economia, e a evolução efetiva da atividade econômica. Quando mais a atividade se aproximar do potencial, menores as perspectivas de extensão do ciclo de afrouxamento dos juros.

Como voltou a informar no comunicado, o Copom considera que a taxa básica ainda se encontra em terreno “estimulativo”, ou seja, estaria abaixo do juro estrutural da economia — aquele que não pressiona a inflação —, fazendo com que a política monetária atue em favor da expansão do nível de atividades. Se é praticamente certo que continuará colaborando para impulsionar a economia em dezembro, o Copom não se comprometeu com esticar a corda dos juros ainda mais para baixo, mas deixou a porta aberta para isso.


Incertezas políticas de um ano eleitoral particularmente indefinido e seus efeitos sobre o andamento do programa de reformas do governo, com destaque para a Previdência, também fazem parte do cardápio de temas que terão de ser considerados numa eventual decisão de prosseguir com reduções nos juros básicos nominais além de dezembro. Quanto menos as reformas andarem e mais o quadro político da corrida presidencial ficar embaçado, menores as chances de que a taxa Selic desça abaixo de 7%.