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José Paulo Kupfer

18 Fevereiro 2016 | 14h53

Os números do IBC-Br, o índice de atividade economia do Banco Central, em dezembro, divulgados nesta quinta-feira, confirmam não apenas que a economia continuou descendo a ladeira na reta final de 2015. Informam também que o ritmo em que a economia vem se retraindo, no último trimestre de 2015, não perdeu o ímpeto em relação aos trimestres anteriores. Ao contrário, ganhou intensidade.

Se essa é uma notícia ruim, há uma outra ainda pior. Não é o recuo de 4,1% na atividade econômica entre 2014 e 2015, apontado pelo IBC-Br, que mais chama a atenção, mas o que isso significa para a evolução do PIB em 2016. O “carregamento estatístico” do ano passado, mais forte do que o antes previsto, assegura que, neste ano, a economia será de novo puxada para trás e que a puxada, como indica agora o Banco Central, será mais acentuada.

A dinâmica econômica, obviamente, não leva em conta convenções e não obedece ao ano-calendário. A economia real não para no réveillon e muito menos recomeça do zero em 1o. de janeiro. Falta a oficialização do resultado efetivo calculado pelo IBGE, previsto para ser conhecido em duas semanas, mas todas as projeções, a esta altura, convergem para uma retração do PIB, em 2015, entre 3,5% e 4%. Esse resultado reflete a fotografia da atividade econômica no ano passado. Quando, porém, se olha o filme — ou seja, a economia em movimento —, o que se vê ainda é um aprofundamento da recessão. 

O impulso negativo que vem de 2015 indica uma contração mínima do PIB em 2016 num intervalo entre 2,5% e 3%. A observação do conjunto dos dados representativos da evolução trimestral tanto do IBC-Br quanto do PIB, em relação ao mesmo período do ano anterior, mostra uma queda contínua e cada mais vez mais intensa da atividade na economia, a partir do segundo trimestre de 2014. A descida da ladeira começa com um recuo de 0,5%, no primeiro trimestre daquele ano, e vai escorregando, numa sucessão que não termina, trimestre a trimestre, em 2015, até uma queda de 6,3%, nos últimos três meses do ano passado.

Indicadores antecedentes e sondagens prospectivas estão enviando primeiros sinais de que a economia possa estar começando a parar de cair, embora sempre haja o risco de falsos positivos neste tipo de aferição. Mas, mesmo que isso se confirme ao longo de 2016, um novo recuo do PIB, na dose amarga de 2015, já está contratada.

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