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Inflação em queda forte reforça debate de corte mais intenso nos juros e redução da meta

José Paulo Kupfer

10 Maio 2017 | 20h18

A inflação, medida pelo IPCA e considerado no acumulado em 12 meses, desceu em abril para uma faixa abaixo do centro da meta. Com alta de apenas 0,14% sobre o índice de março, a variação do IPCA, de maio do ano passado até agora, está agora em 4,08%. As projeções para maio apontam variação em torno de 0,5% sobre abril, mas essa eventual maior elevação mensal não será suficiente para alterar a trajetória de queda do índice de preços em 12  meses. Se confirmadas as projeções de alta de 0,5% em maio, a inflação em 12 meses recuará para 3,8%.

É bem provável que a tendência de queda se mantenha até agosto, quando a variação do IPCA em 12 meses poderá ficar abaixo de 3,5%. O “risco” de que a alta de preços se aproxime do piso do intervalo da meta, hoje em 3%, é real, mas as variações mais baixas do IPCA a partir de setembro do ano passado atuarão no sentido de reverter a tendência e evitar os efeitos negativos de uma desinflação rápida e acentuada. Grande parte das previsões para o fim de 2017 colocam a variação do IPCA nas vizinhanças do centro da meta, que é de 4,5%.

A inflação de abril, a mais baixa para o mês desde 1994, ano de implantação do Plano Real, abriu mais espaços a dois debates sobre os caminhos da política monetária que já vinham ganhando corpo. O primeiro é o da intensidade dos cortes nas taxas básicas de juros. Já era tido como certo, entre os analistas de mercado, que a taxa Selic recuaria de 11,25% ao ano para 10,25%, na reunião do Copom marcada para fins de maio. Agora, de acordo com as projeções de mercado, aumentou — e bastante — a probabilidade de um corte de 1,25 ponto, com a taxa básica chegando a 10%. Permanecem as apostas segundo as quais os juros de referência fecharão 2017 entre 8% e 8,5% ao ano, em termos nominais.

Além de uma possível aceleração no corte da taxa básica de juros, a inflação declinante animou os defensores da redução da meta de inflação, normalmente definida em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) prevista em junho, valendo para dois anos à frente. Cresce o número de adeptos de que o centro da meta, fixado em 4,5% desde 2005, recue para 4,25% ou mesmo 4%. Também cresce o grupo que advoga estreitar o intervalo no qual a inflação pode se acomodar. Depois de 11 anos com a banda fixada em 2 pontos para cima ou para baixo, o intervalo, para 2017 e 2018, passou a 1,5 ponto e poderia ficar mais apertado, caindo para 1 ponto.

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