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Mercados reagem bem à alta dos juros nos EUA

José Paulo Kupfer

15 Março 2017 | 16h25

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve — o Copom do Banco Central americano –, como largamente esperado, elevou, na tarde desta quarta-feira, a taxa de juros de referência da economia para o intervalo entre 0,75% e 1% ao ano, numa alta de 0,25 ponto porcentual. A decisão não foi unânime e teve o voto contrário de Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, que preferiu manter os juros no nível em que estavam em dezembro.

No comunicado emitido ao final da reunião, os dirigentes do Fed que consideram que a economia dos EUA está avançando em ritmo estável embora lento e que a inflação se aproxima da meta de 2% ao ano. Comparado com o comunicado de dezembro, o do março é muito mais afirmativo em constatar o avanço do emprego, do consumo das famílias e dos investimentos empresariais.

Depois da elevação desta quarta-feira, a tendência do momento é de que ainda ocorram, neste ano, duas outras altas nas taxas de referência, ambas igualmente moderadas. Isso porque, na avaliação do Fed, pequenos ajustes na política monetária seriam suficientes para manter tanto um ritmo adequado de crescimento quanto a inflação estabilizada em torno de 2% ao ano.

Os mercados reagiram bem à decisão e avaliaram que o comunicado se mostrou mais “dovish” do que analistas chegaram a imaginar nas últimas semanas. Em Nova York,  a Bolsa reagiu com alta, refletindo a visão de que não foram detectadas pelo Fed mudanças significativas na economia desde a reunião de dezembro. Por trás dessa constatação está a avaliação de que, apesar da estridência de suas primeiras ações na Casa Branca, Donald Trump, pelo menos até aqui, não promoveu uma reviravolta digna do nome nos rumos da economia americana.


Não foi diferente a reação no mercado brasileiro. A Bolsa de São Paulo operava em alta e a cotação do dólar em baixa logo depois da divulgação da decisão americana.

De todo modo, com a alta desta quarta e a reafirmação do aperto monetário previsto para ocorrer ao longo do ano, a tendência é de fortalecimento do dólar no mercado global e, mais do que isso, do possível acirramento dos conflitos entre a política monetária mais contracionista do Fed e a política fiscal mais expansionista prometida por Trump.