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PIB desastroso de 2015 ajuda a impulsionar novo desastre em 2016

José Paulo Kupfer

03 março 2016 | 12:25

O PIB recuou 3,8%, em 2015, no maior tombo desde a retração de 4,35%, em 1990, mas com essa derrubada geral, que fez o PIB per capita cair 4,6%, veio também um sinal de que o ritmo em que a economia vem descendo a ladeira pode estar começando a perder força. Embora a retração, no último trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2014, tenha alcançado acentuados 5,9%, foi ligeiramente menos intensa, em relação ao trimestre anterior —1,4% para baixo contra queda de 1,7% no terceiro trimestre contra o segundo.

Não significa que a falta de fôlego da atividade econômica já tenha ficado para trás, mas com os resultados divulgados agora pelo IBGE vieram também alguns sinais de que, no atual longo ciclo recessivo, os recuos possam estar começando a perder ritmo. A intensidade das quedas na atividade, medida trimestre a trimestre, mostra um arrefecimento, depois do pico de 2,1% de retração, no segundo trimestre de 2015 sobre o período janeiro/março. Analistas projetam que essa tendência de moderação na contração da atividade econômica continuará prevalecendo ao longo de 2016, com o primeiro trimestre deste ano recuando menos de 1% sobre os últimos três meses do ano passado.

As previsões de que a variação do PIB em 2016 será, mais uma vez, fortemente negativa, registrando retração entre 3% e 4%, numa amarga repetição do desempenho de 2015, não são contraditórias com a perspectiva de redução do ritmo de contração da economia ao longo do ano. O desastre do ano passado deixou uma herança negativa — o chamado “carregamento estatístico” — de 2,5% para este ano. Isso quer dizer que, mesmo na hipótese de estabilização da economia nos quatro trimestres dde 2016, o PIB médio mostraria recuo nessa proporção. Como, de acordo com as estimativas, a estabilização, se houver, só ocorreria a partir do segundo semestre, o resultado previsto, que levaria a economia brasileira a um inédito recuo em torno de 8% em dois anos, está valendo.

Economistas da consultoria LCA chamam a atenção para a baixa correlação entre o “carry over” de um ano para o outro e o que efetivamente se passará com a atividade econômica. Em outras recessões, caso das ocorridas em 1981-82, 1990-93 e 2008-2009, a variação do PIB superou o fardo negativo inicial transferido do ano anterior. Desta vez, as perspectivas de uma reversão desse tendência negativa, na linha do verificado naqueles episódios, contudo, são menos prováveis, em razão da fragilidade dos elementos capazes de promover uma retomada em prazo curto.

Os dados do IBGE revelaram novas quedas nas taxas de poupança e investimento —de 20,2%, em 2014, para 18,2%, em 2015, nesta última, e de 16,2% para 14,4%, na primeira. O volume de investimento, particularmente, que recua a dez trimestres consecutivos, afundou 14,1%, em relação a 2014, quando a queda já tinha sido de 4,5% sobre 2013. Só o setor externo promete, para este ano, um desempenho favorável, capaz de mitigar o novo e previsível tombo da economia, da mesma forma que já se deu em 2015, mas não de impedir que ele ocorra com a intensidade prevista.

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