Os pássaros e o elefante

Os pássaros e o elefante

Claudia Miranda Gonçalves

29 Maio 2017 | 10h22

Desculpe se sou mais uma falando da velocidade de mudanças e complexidade no mundo e nas organizações…mas não tenho como apagar este contexto em que vivemos. Como coach, já fiz diversas imersões em formas ou estilos de liderança, na esperança de trazer novos modelos mais adequados a essa realidade para meus clientes: líderes em empresas de vários portes e vários setores, mas com uma angústia em comum.

Todos, sem exceção, suspiram ao imaginar um time/ pessoas que assumam a responsabilidade. Para citar duas palavras do momento – accountability e ownership. Accountability é o nível de responsabilidade em que a pessoa reconhece que, independentemente de quem tenha feito a tarefa, a responsabilidade é solidária. Ownership é o famoso sentimento de dono.

Os clientes não só se angustiam quando são chefes, mas quando se queixam que seus chefes não lhes dão liberdade para arriscar, fazer. Seus chefes querem o comando-controle.

São dois lados da mesma moeda, mas só enxergamos a moeda se tomarmos certa distância e conseguirmos ver que fazem parte do mesmo sistema.

Mas que modelo de liderança consegue lidar com tantas dimensões simultaneamente??? Que líder dá conta disso????  Nenhum! E…Todos!!!

Enquanto atuarmos em um lado ou em outro, não estaremos vendo o quadro mais amplo e nada muda.

 

A MUDANÇA DE PARADIGMA – OS PÁSSAROS

Workshop para umas 47 pessoas além de mim. O tema??? Mais uma vez liderança. Daí o facilitador propôs um exercício para entendermos algo dos processos sistêmicos.

“ Todos de pé; pensem em duas pessoas presentes nesta sala  e se movam até  ficarem à mesma distância destas DUAS pessoas.”

Alguém dirigiu? Deu mais instruções? Foi uma loucura? Deu errado?

A resposta para todas estas perguntas é NÃO!

Agora que consegui sua atenção e seu espanto, em menos de 10 minutos todos estavam em pé, equidistantes de duas pessoas que tinham em mente, SIMULTANEAMENTE.

Daí todo mundo senta e aprende:

A liderança sistêmica se dá no sistema e não numa pessoa específica o tempo todo. O grupo se auto organiza a partir de sua inteligência coletiva, que não é controlada pelo racional de qualquer cidadão do grupo.

Tá bom, mas como isso pode funcionar numa empresa? Como isso pode funcionar quando existem diversos objetivos cruzando-se pelo caminho?

O princípio #1 do pensamento sistêmico é: Veja o sistema primeiro.  O pulo do gato no exercício foi que todos estavam simultaneamente fazendo sua parte para ficarem equidistantes de duas pessoas em quem pensaram. Todos com um mesmo foco, sem agendas pessoais, sem quererem controlar.

Então o que tirei sobre liderança sistêmica neste dia foi que empresas são vivas, pois se transformam, desenvolvem, modificam. Se temos alguma chance em facilitar seu desenvolvimento e crescimento será através de uma visão do sistema em primeiro lugar.

 

O ELEFANTE

Já deve conhecer a estória dos seis cegos tateando um elefante. Cada um conseguiu tatear uma parte apenas. Uma pata, o rabo, a tromba, a barriga…e quando foram conversar sobre o que tatearam, não houve consenso. Em alguma versão desse conto um homem que enxergava lhes conta que era um elefante!

Moral da estória? Precisamos ver o sistema primeiro para entender como funciona. Se estamos sempre imersos dentro dele, teremos sempre a visão parcial.

 

A LIDERANÇA SISTÊMICA

Às vezes somos os cegos tentando tatear nosso pedaço do elefante e achando que estamos vendo o todo. Precisamos mudar nosso paradigma de cegos tateando um elefante para o de pássaros voando num fluxo que serve ao propósito do sistema.

Então para começar seu exercício de visão sistêmica, veja o sistema mais de fora, da borda.

 

escreva!

claudia@ikigai.etc.br