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Na “calmaria”, Barbosa trabalha para imprimir marca em sua gestão

Adriana Fernandes e Ricardo Brito

12 janeiro 2016 | 15:43

Nota do ministro da Fazenda em que rejeita qualquer tipo de subsídio dado pelo Tesouro Nacional procura afastar desconfiança sobre a gestão econômica. Resta a ele mostrar a sua “cara”

Nelson Barbosa (André Dusek/Estadão)

Nelson Barbosa (André Dusek/Estadão)

Não pode passar despercebido o gesto do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de mandar divulgar nota rejeitando qualquer tipo de projeto que implique dispêndio com subsídios ou equalizações de taxas de juros pelo Tesouro Nacional.

A nota foi publicada por sua assessoria menos de duas horas depois de o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, ter dado entrevista na portaria do Ministério da Fazenda afirmando que o programa de renovação de frota proposto pelo setor e em discussão com o governo contava, entre outras possibilidades, com a concessão de subsídios do governo.

Não é praxe do Ministério da Fazenda esse tipo de resposta após reuniões com dirigentes empresariais e de trabalhadores. O que só reforça o tom do recado do ministro e simbolismo.

Barbosa procura afastar a desconfiança de que vai reativar as medidas de estímulo do crédito à base de injeções robustas de subsídios, adotadas no primeiro mandato pela presidente Dilma Rousseff – e que estão custando caro aos cofres do governo.

Se o ministro terá sucesso e, sobretudo, poder para vetar a concessão de aumento dos subsídios não dá para saber ainda. Ele ainda não mostrou a “cara” de sua gestão, principalmente porque trabalha no momento em “voo baixo”, em terreno minado da pressão da base do governo por medidas que possam garantir o crescimento mais rápido da economia.

Barbosa pretende aproveitar ao máximo o período de maior tranquilidade aparente antes da volta dos trabalhos legislativos e do retorno das votações em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma – ainda que revelações da Operação Lava Jato se aproximem do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do principal aliado do governo no Congresso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

É espantosa a proliferação de propostas para reativar a economia que surgem a cada dia na capital do País, entre elas, o uso de reservas internacionais para investimentos – tantas vezes já negadas por ele.

Suas palavras, no entanto, só terão maior eco à medida que mostrar as suas ações, mesmo que já tenha descartado o anúncio de pacotes recheados de medidas econômicas. De todo modo, seu espaço de ação é muito restrito sem dinheiro no caixa.

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