
Imerso numa disputa entre as alas do vice-presidente (e presidente do partido), Michel Temer, e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o PMDB paralisou a marcha que poderia impulsionar um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Esse mesmo impasse também leva Temer a "abortar" qualquer articulação para usar a convenção do PMDB - na qual quer se reeleger para o comando do partido - como ato de desembarque do governo.
O partido tem os presidentes da Câmara e do Senado; as maiores bancadas nas duas Casas Legislativas, e a vice-presidência da República, condição objetiva para chegar ao Palácio do Planalto em caso de afastamento de Dilma.
Por outro lado, conta também com seis ministérios e ainda pode voltar a ter o sétimo, a Secretaria de Aviação Civil, caso chegue a termo a operação da petista para afagar os deputados do PMDB mineiro e reduzir a pressão do processo de afastamento que a ameaça.
"Se você desembarca agora, é como se fosse um rompimento", admite um senador peemedebista, admitindo o esfriamento do cenário e a dificuldade - praticamente hereditária - de um quadro do partido desapegar do poder (no caso cargos em ministérios), se não tiver a certeza de que mais poder está por vir (como é o momento atual).
O PMDB lançou em 2015 duas grandes plataformas econômicas: a "Agenda Brasil", do grupo de Renan, e "Uma Ponte para o Futuro", do grupo de Temer.
A primeira tinha como objetivo ajudar o governo Dilma e afastar a pauta negativa da Operação Lava Jato do Senado; a segunda, com cara de desembarque do Planalto. Ambas com reformas caras principalmente à oposição, que tem ficado a dever nesse quesito.
Nenhuma delas foi adiante, contudo. Dilma pode respirar. Só não sabe até quando, já que está longe de recuperar o leme da condução política e econômica do País.
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