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Atacarejo, pré-pago e milhagem são alternativas para manter as compras

Atacarejo, pré-pago e milhagem são alternativas para manter as compras

Com mais um ano de aperto no orçamento por causa do avanço do desemprego e da inflação, a saída para o consumidor é fazer ‘mais com menos’

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Márcia De Chiara

07 Janeiro 2016 | 05h00

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Em meados de 2015, o pior ano para o comércio desde do início do Real, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, a terceira maior varejista do eletroeletrônicos e móveis do País, disse que o consumo não tinha acabado, mas a confiança do consumidor tinha. Em meio ao baixo astral que afetou o varejo no ano passado e que deve continuar este ano por causa da recessão, o brasileiro começou a buscar alternativas para mudar a forma de ir às compras com objetivo de manter o padrão de consumo conquistado nos últimos anos.

“A macro tendência do varejo para 2016, sob a óptica do consumidor é mais por menos”, afirma Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, com a crise de confiança e o aumento do desemprego, a racionalidade do consumidor deve se acentuar. “Isso significa fazer mais conta, questionar a marca que está habituado a comprar, por exemplo.”

Nesse sentido, a preferência pelas lojas de atacarejo, que misturam atacado com varejo e vendem produtos mais em conta em relação aos supermercados, aparece no topo do ranking das principais tendências de consumo para este ano, segundo os consultores ouvidos pelo Estado. As vendas dessas lojas já crescem num ritmo muito mais acelerado do que as dos supermercados. Gouvêa de Souza lembra que em recessões recentes – da bolha da internet entre 1999 e 2001 e da crise do mercado financeiro entre 2007 a 2010 – o consumidor dos Estados Unidos deu preferência a esse tipo de loja.

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A opção do consumidor pelo atacarejo ampliou as vendas desse tipo de loja em dois dígitos (Foto: Filipe Araújo/Estadão)

A marca própria, fabricada sob encomenda pelo varejista e que pode ter um preço até 30% menor do que a líder, é outra alternativa para quem está com orçamento apertado. Mas, na opinião de Terra, a migração de uma marca líder para outra do próprio varejista não é necessariamente uma tendência. “Isso só vai acontecer se as marcas mais caras não conseguirem deixar claro a sua relação custo/benefício.” O que deve acontecer neste ano, segundo ele, é uma pressão maior para que as marcas se provem melhores do que a concorrência.

‘Infedelização’. Para Gouvêa de Souza, há neste ano uma forte tendência para que o consumidor seja menos fiel à marca, à loja ou ao tipo de serviço, tudo isso para cortar despesas. Nesse rol de alternativas, os serviços pré-pagos ganham força.
A Sky, operadora de TV por assinatura, decidiu desde o início de dezembro ampliar essa modalidade de venda do serviço, lançando novos pacotes pré-pagos. Nesse cenário de crise, Alfredo César de Souza, diretor de pré-pago da empresa, diz que a intenção é crescer no mercado, oferecendo produtos cujo pagamento é mais flexível, nos quais não há obrigatoriedade de desembolso mensal.

“Hoje, de cada dez residências no País, só três têm serviço de TV paga”, diz ele, apontando o grande potencial de consumo, especialmente do pré-pago no cenário atual. “Todo instrumento que leve o consumidor a ter um comportamento mais racional ganha força hoje”, pondera Terra, da SBVC, lembrando que, além de telefonia e TV a cabo, essa modalidade chegou até a academias de ginástica.

Preço. O preço baixo que nos anos de bonança perdeu posições nas listas de atributos mais desejados pelo consumidor em relação a produtos e lojas volta agora a ganhar destaque nas pesquisas sobre hábitos de consumo.

Para Gouvêa de Souza, na prática preço baixo nunca deixou de ser o foco do consumidor. A diferença é que, em momentos de crise, esse atributo fica mais visível. Nesse aspecto, ele ressalta que o comércio eletrônico, pelo fato de funcionar numa ambiente mais competitivo, no qual é possível comparar preço rapidamente, é outro instrumento que deve ser mais usado pelo consumidor neste ano.

“O comércio eletrônico deve receber um empurrão”, diz Claudia Bittencourt, diretora geral do grupo de consultoria empresarial que leva o seu sobrenome. Hoje, o comércio eletrônico representa menos de 5% do total das vendas do varejo total.

Também a tendência, diz Terra, é que cresçam as formas de renda complementar. São os programas de milhagem que oferecem a possibilidade de o consumidor juntar pontos para não só comprar passagem aérea, mas fazer o supermercado, pagar conta e abastecer em postos de combustíveis. “As lojas e as marcas que oferecem isso vão ter a preferência do consumidor. Esse é um segmento que está vendendo lenço na crise.”

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