Brasileiros dominam cúpula global da Johnson & Johnson

Marili Ribeiro

27 Abril 2011 | 13h47


Duda, presidente da J&J Brasil

Caipirinha e expressões em português correm o risco de entrar para o cardápio das reuniões do board mundial da Jonhson & Jonhson (J&J) Produtos de Consumo. Das cinco regiões em que acaba de ser dividida a estrutura operacional da companhia, três estão na mão de brasileiros: EUA, Roberto Marques; América Latina, Suzan Rivetti ; Europa e Europa do Leste, José Justino.

Isso, fora o Brasil, que é o segundo maior mercado da J&J Consumo, ter na presidência, há duas semanas, a baiana Maria Eduarda Kertész, a Duda, como ela mesma assina os comunicados internos para os funcionários.

Em janeiro, quando o chinês Jesse Wu assumiu a presidência global da J&J Consumo, pôs em andamento uma reestruturação da companhia. Ela deixou de atuar por unidades de negócios divididas por linhas de produtos _ bebê, beleza, higiene bucal, absorventes íntimo, medicamentos sem prescrição médica _ e passou a operar por região. Com isso, Wu pretende combater o que considerava processo decisório complexo e lento nas decisões, tornando-o mais ágil.


Duda que, embora esteja na companhia há 13 anos, assume a direção do Brasil nesse novo quadro, explica que uma das vantagens da reorganização é poder acelerar processos como, por exemplo, se viesse a optar pela mudança de sede da empresa no Brasil, teria de esperar o roteiro de aprovação dessa medida em todas as unidades de negócios globais que seriam afetadas pela medida. Agora não mais. O caminho até a cúpula foi reduzido. “Wu é um homem que veio do mercado, conhece as demandas. Sabe que precisamos de agilidade para expandir. Ele cuidava de todos os países da Ásia e, mais do que tudo, tem consciência de que, para a J&J avançar, deve apostar nos mercados emergentes”, explica Duda.

Aliás, Duda assume com disposição de acelerar o crescimento no Brasil, que já fechou 2010 com 10% de aumento ante 2009, com R$ 4,2 bilhões de faturamento. A nova presidente da J&J Brasil quer, não só atrair investimentos para novos negócios e marcas, como transformar o País em celeiro de experimentação de marcas e produtos. “Além da marcas globais, podemos ter modelos de negócios diferentes aqui pelas características do nosso mercado”, diz ela e acrescenta que, em breve, já terá novidades a apresentar.

No Brasil, área de produtos de consumo da J&J responde pela maior parte do faturamento do grupo no País. No mundo é diferente. A área de consumo responde por 25% do faturamento que, no ano passado, foi de US$ 61,6 bilhões. As outras duas áreas de atuação da companhia, com125 anos de existência (77 no Brasil), são a de medicamentos farmacêuticos e a de equipamentos profissionais como estente para problemas coronários, próteses, entre outros.

ESTRÉIA COM HUCK

Nos últimos anos, Duda esteve à frente do marketing da J&J no Brasil. Chegar ao topo da carreira não a surpreende, apesar dos seus 38 anos. “Sei que o que me fez chegar aqui não vai me ajudar a avançar”, pondera ela. “Acho que estou preparada, mas não pronta, por isso contratei um coach para me apoiar”. Duda sabe que tem personalidade forte e comenta a respeito que “se não quiseram que palpite, não me pergunte”.

Duda estreou no posto de presidente com uma grande campanha promocional que abriga toda a linha de produtos da empresa, com a assinatura institucional “cuidar em dobro com J&J”. Ela não revela o investimento nessa campanha, mas diz que é o mais significativo do ano e ficará em cartaz por três meses. A campanha tem como garoto-propaganda o apresentador Luciano Huck e, antes que alguém diga que a proposta vai na linha do que Procter & Gamble está fazendo com o apresentador Faustão, ela rebate: “Não temos necessidade de divulgar nossa marca institucional. A J&J é reconhecida há décadas pelo consumidores de nossos produtos”.

Jesse Wu esteve no Brasil em reunião com Duda. Tomou e gostou da caipirinha. Desde então, e por causa de a companhia ter vários brasileiros no comando, começou a brincadeira que Wu terá que aprender português. Ela conta que ele não descartou a possibilidade.