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Cenário 2018: Recuperação Cíclica em meio a Risco Eleitoral

O crescimento econômico acima do potencial é um alento mas o que importa mesmo em 2018 é a eleição

mosaicodeeconomia

13 Novembro 2017 | 17h44

*Marcelo Kfoury Muinhos
Apesar de ainda estarmos em 2017, tudo mundo no Brasil só pensa no próximo ano. Dada a decepção com a seleção e a ressaca com os eventos esportivos aqui no país, o que tira o sono das pessoas não é a Copa do Mundo na Rússia, mas sim as eleições presidenciais. Portanto vivemos um período de recuperação cíclica com expectativa de um crescimento entre 2,5% e 3% em 2018, mas o risco da eleição nubla o cenário para o médio e longo prazo.
A razão para o otimismo com a performance da economia é a expectativa de recuperação do mercado do crédito e o aumento dos salários reais, que devem alavancar o crescimento no próximo ano. A condição financeira, devido a política monetária mais expansionista, deve favorecer o aumento dos investimentos, além de que aparentemente ter havido desalavancagem no lado empresarial, favorecendo o crédito corporativo. Mesmo levando em conta os últimos dados de atividade na margem ligeiramente abaixo do esperado, o crescimento de 2017 será positivo, e tenho convicção que no próximo ano, o PIB aumentará mais do que o potencial, independentemente da incerteza inerente a essa última variável.
Com relação a política monetária, penso que o momento mais benigno do cenário de inflação já passou e o Copom deve cortar os juros pela última vez em na reunião de dezembro, estabelecendo um novo patamar mínimo de 7% para a Selic. O balanço de riscos da inflação passou de positivo para neutro ao se levar em conta os aumentos dos preços da energia, um ambiente mais difícil para as reformas fiscais e um certo aumento da volatilidade do ambiente internacional. A minha projeção de inflação para 2018 em 4,2% está ligeiramente acima do que o consenso do mercado do Focus (4,04%). De qualquer maneira, é provável que o próximo movimento de alta dos juros não aconteça no curto prazo, pois dada a margem de ociosidade ainda elevada da economia brasileira, a política monetária expansionista ainda pode perdurar por mais de um ano. De acordo com as nossas estimações só no final de 2019, que o hiato do produto voltará ao positivo.
Já com relação às perspectivas de reformas estruturais, principalmente a da previdência, houve mudança relevante na semana passada (primeira de novembro). Do pessimista total com chance zero de mudança na reforma da previdência, vimos algo que pôde ser uma luz no fim do túnel e pelo menos uma reforma mínima pode ser aprovada. Como disse o próprio relator, Arthur Maia, disse “melhor metade do que nada”. Se nada for aprovado, vários cortes nos gastos e aumentos de impostos serão exigidos para que em 2018 que se mantenha o déficit primário em 2,5% (que já significa nenhum ajuste em relação a 2017), dada a dimensão de buraco na previdência privada e pública federal.
Porém, todos as nossas análises e previsões serão lixo, se um populista, que não está empenhado em continuar a consolidação fiscal, ganhar a eleição. Nós vamos estar falando sobre coisas que aconteceram na Grécia há alguns anos atrás, nesse caso. Para colocar as coisas ainda piores, o eleitor mediano está possesso com o sistema político e as possibilidades de um outsider, que nunca foi candidato, estão aumentando muito. A questão de um milhão de dólares é prever quem será esse outsider. Outra questão ainda em aberto é a presença do ex-presidente Lula na eleição. Se ele for candidato, o debate sobre o futuro será interditado e a eleição será plebiscitária. Nesse caso o anti-Lula podendo ser um outsider com perfil populista aumentando ainda mais o risco de não se resolver o impasse fiscal.
* Professor e Coordenador do Centro Macro-Brasil da FGV-EESP