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Nada Será Como Antes Amanhã: Tiririca está certo

Ambiente Econômico mais construtivo pode tirar munição dos arautos do caos trazendo mais racionalidade ao debate político

mosaicodeeconomia

08 Dezembro 2017 | 11h40

*Marcelo Kfoury Muinhos
Enfim estamos agora indo ao encontro da lei do Tiririca, “que pior que está não fica”, com o ano terminando em um ambiente muito mais favorável do que começou. Além disso, se esse a reforma da previdência ou parte dela for aprovada nas próximas semanas, o saldo será ainda mais positivo . Porém, a recuperação econômica não nos dá tranquilidade para sermos otimistas com o resultado eleitoral de outubro, dado que a sensação de melhora com a econômica, principalmente via emprego, pode ainda não ser sentida durante a campanha eleitoral.
O resultado do PIB, apesar de parecer anímico na margem com aumento de apenas 0,1% no 3º trimestre contra o imediatamente anterior, trouxe resultados alvissareiros. Dada a revisão nos dados anteriores, trazendo um crescimento de 1,4% contra o mesmo trimestre de 2016 e a abertura com virada importante nos investimentos e no consumo, nos dá a convicção que a recuperação cíclica já ocorreu. O PIB de 2017 deve ter um crescimento de cerca de 1% e o de 2018 entre 2,5-3%. Como já salientado anteriormente, as razões para o otimismo são a recuperação do mercado de credito, tanto o das famílias como o das firma, e o aumento do salário real com a recuperação econômica e a surpresas positivas na inflação.
Com relação a política monetária, já batemos o recorde de baixa, com a Selic menos da metade do pico anterior, (7% contra 14,25%) e aparentemente o Banco Central pretende fazer mais cortes em 2018. Em janeiro, a autoridade monetária já avisou publicamente, no comunicado depois do Copom, que diminuirá o ritmo para 25pbs, mas manterá o ciclo de corte.  Com relação segunda reunião do próximo ano em fevereiro, o comunicado mencionou que O Copom agirá com cautela, portanto um novo corte dependerá do cenário. Favorecendo um novo corte em fevereiro está a inflação corrente. O numero de novembro, que acabou de ser divulgado, a inflação registrou variação de 0,28% bem abaixo do esperado e com a energia elétrica e o gás de cozinha como as únicas pressões altistas.  Logicamente o Banco Central tem que olhar para frente, com vistas a ajustar a política monetária, mas o que temos visto na inflação é uma inercia muito baixa, que ainda será reforçada com um aumento bem reduzido do salário mínimo em janeiro inferior a 3%.
Entre os fatores de pressão contra outros cortes dos juros estão as dificuldades políticas de se aprovar as reformas, principalmente a da previdência, e alguma turbulência vinda de fora fruta de uma possível diminuição da liquidez internacional mais abrupta que prevista. Se as condições políticas e externas pressionarem o câmbio, novas cortes na Selic ao longo do primeiro semestre podem ficar comprometidos. De qualquer maneira, 6,5% de Juros e 4% de inflação ao final do próximo ano, me parecem projeções factíveis.
Visto de hoje, as chances de se aprovar uma reforma da previdência mais enxuta, que estabelece uma idade mínima, uma regra de transição e paridade de tratamento dos funcionários públicos com os do setor privado, parecem ser quase iguais a nada ser aprovado. Nunca gostei de assinalar 50% de chance de algum evento ocorrer, pois parece que está sendo dúbio, mas em minha defesa, as chances há um mês atrás eram de menos de 10%, portanto houve a construção de um momento que pode culminar na aprovação, mas está claro que o presidente Temer ainda não conseguiu convencer 308 deputados a apoiar essa reforma, mesmo sendo mais enxuta.
Concluindo, as notícias boas vindas do campo econômico podem não ser suficientes para aplacar a raiva da população contra os políticos tradicionais e ainda corremos riscos de extremismo na eleição presidencial. De qualquer maneira, um ambiente econômico mais construtivo tira munição dos arautos do caos e podem trazer mais racionalidade ao debate eleitoral. Quem viver, verá!

* Professor e Coordenador do Centro Macro-Brasil da FGV-EESP